Jaú - Mais de seis anos se passaram desde o desaparecimento e o estrangulamento da professora Milva Merchan Ferraz, 32 anos, na cidade de Jaú (47 quilômetros de Bauru). O crime bárbaro, que abalou a cidade e estava sem solução, foi esclarecido ontem, com a prisão do ex-marido dela, Edson Roberto Ferruccio, acusado do crime pela polícia.
A prisão temporária por 30 dias de Ferruccio foi possível graças a uma gravação feita pela Polícia Civil, mais precisamente pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, em que o acusado tenta um empréstimo com um amigo para pagar uma testemunha.
A escuta autorizada pelo juiz possibilitou a identificação da testemunha, que não teve seu nome divulgado pela polícia. Na época do crime, essa pessoa era funcionária do acusado. Ela confessou que mentiu para a Justiça e que o álibi apresentado pelo acusado em agosto de 2000 foi montado para isentá-lo da culpa.
Mesmo preso, Ferruccio negou sua participação, mas ele já foi reconhecido por testemunhas oculares, que viram quando ele empurrava a professora para o interior do carro dela.
Fim do pesadelo
O caso do brutal assassinato em Jaú da professora de língua portuguesa Milva Ferraz fazia parte da lista de crimes não resolvidos e que se tornaram pesadelo tanto para a família quanto para a polícia.
Para o delegado titular da DIG, Edmilson Marcos Bataier, o crime está esclarecido, faltando apenas confirmar se houve a participação de mais pessoas na morte.
“Foi feita uma acariação da testemunha com o acusado. Ela pediu para Ferruccio parar de mentir e confessou ter mentido no depoimento da época.”
Bataier diz que outras testemunhas confirmaram ter visto o acusado no bairro onde o carro da professora foi abandonado. “Ele foi visto no bairro Orlando Ometto com a ex-mulher em uma situação desfavorável a ela.”
Para o delegado, faltam alguns detalhes para concluir as investigações e pedir a prisão preventiva de Ferruccio. “Assim que conseguirmos provar que ele agiu sozinho ou se teve a participação de mais pessoas no crime, vamos concluir a investigação. Ele poderá ter a prisão temporária prorrogada ou, dependendo da situação, ter a prisão preventiva decretada”, detalha o delegado.
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Crime abalou cidade
A professora Milva Ferraz estava separada do marido. No dia do desaparecimento dela, segundo a polícia, Milva procurou Ferruccio para que ele assinasse um documento que converteria a separação em divórcio, no período vespertino.
No período noturno, após conversar com uma prima, ela sumiu. A professora desapareceu no dia 4 de agosto de 2000. O carro, um Fiat Uno, foi localizado posteriormente.
O corpo da professora foi encontrado em um canavial no município de Mineiros do Tietê, próximo a uma estrada vicinal, que liga a cidade a Barra Bonita. O corpo estava chamuscado e foi encontrado por cortadores de cana. Na época, foi visto após a queimada.
A professora tinha sinais de espancamento. Ela também foi estrangulada com uma camisa e um pedaço de couro, provavelmente a alça de sua bolsa. Estava semi-nua. O delegado da DIG de Jaú, à época, descartou a possibilidade de latrocínio, uma vez que nenhum de seus pertences havia sido subtraído.