09 de julho de 2026
Nacional

Brasil vai liderar mercado de etanol, diz irmão de Bush

Por Da Redação | Com Folhapress e Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente da Comissão Interamericana de Etanol e ex-governador da Flórida, John Ellis “Jeb” Bush, irmão do presidente americano, George W. Bush, participou ontem de uma reunião com os conselheiros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em São Paulo.

Na opinião de Bush, o Brasil é o país que tem mais capacidade para abrir o caminho deste mercado. Ele acredita que nos próximos cinco anos, tanto a produção com o consumo de etanol irão no mínimo duplicar e o Brasil vai liderar este processo. Ele disse também que uma duplicação do consumo nos Estados Unidos implica em importação de etanol e com certeza o principal fornecedor será o Brasil.

Segundo ele, na América Latina, países como Peru, Colômbia, Guatemala e República Dominicana também apresentam as condições necessárias para produzir o etanol a um custo mais baixo.

Acompanhado do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, Bush reiterou que a função da Comissão Interamericana de Etanol é de educar, conscientizar a população sobre a necessidade do uso de combustíveis renováveis e de mostrar ao governo norte-americana que o mercado de energia não deve ser protegido.

“Nós não temos recursos para investir na produção de etanol. O nosso objetivo é atrair investidores para este setor. Havendo uma redução do protecionismo e uma maior conscientização sobre os efeitos da energia limpa, surgirão investidores.” Segundo Jeb Bush, o crescimento expressivo da produção de milho nos Estados Unidos já é um sinal de como existe o interesse pela produção de combustível renovável.

Tarifa

O presidente da Comissão Interamericana de Etanol também defendeu ontem o fim da tarifa de importação sobre o álcool brasileiro para ampliar o mercado de biocombustível. Os EUA cobram hoje uma taxa de US$ 0,54 por galão sobre o álcool vendido pelo Brasil, além de 2,5% de impostos alfandegários.

O Brasil tem feito uma campanha para reduzir essa sobretaxa, para ampliar as exportações, mas a demanda esbarra em outro tema polêmico nas relações Brasil-EUA: a questão dos subsídios agrícolas. Bush não chegou a apontar quando ou mesmo em que condições a demanda brasileira poderia ser atendida.

Ele se limitou a dizer que um ponto chave para a criação do mercado de biocombustível nos EUA seria a mudança do “status” do álcool de uma questão de política agrícola para um assunto de política energética. “Hoje, a política para o etanol está mais relacionada à produção agrícola do que energética. Se fosse uma questão energética, nós não tributaríamos o etanol”, afirmou Bush, durante participação em seminário, na cidade de São Paulo.

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, afirmou que a mudança do álcool de “commodity agrícola” para “commodity energética” está em processo de “esclarecimento” mesmo no restante do mundo. “Transformar o etanol numa commodity energética, em vez de uma commodity agrícola, é uma discussão que tem de ser tratada, que tem prós e contras. Por enquanto, não há ainda clareza nesse processo”, disse ele. “A tarifa já está definida por dois anos, então, não há como diminuir. Agora, como disse o governador Bush, é um trabalho de conscientização, de discussão, de transformação da mentalidade”, acrescentou o ex-ministro.