11 de julho de 2026
Cultura

Artista plástica Viviane Mendes se aventura pela fotografia

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Dizem que gatos são animais traiçoeiros: abandonam o dono assim que encontram uma casa melhor. A artista plástica Viviane Mendes nega a afirmação. Mesmo porque, no caso dela, seus cinco gatinhos vira-latas dificilmente encontrariam conforto maior. Além de água e comida, eles recebem um amplo espaço verde onde podem arranhar galhos de plantas à vontade, rolar pelo gramado e até assistir às fases da lua de uma casinha de madeira no telhado – é, no telhado – colocada especialmente para a acomodação dos bichanos.

Para coroar o tratamento de estrelas, só faltavam os flashes. Mas logo eles vieram e com uma intensidade frenética. Com máquina digital – bem simples, diga-se de passagem –, uma Olympus 5.1, comprada para registrar seus trabalhos, Mendes foi seduzida pelo charme dos felinos que pareciam fazer pose para as lentes da fotógrafa amadora. Os cliques surpreenderam até mesmo a autora - “Foi sorte!”, diz – que decidiu montar a exposição “Gatos, Um Olhar de Viviane Mendes”, aberta hoje no Templo Bar.

A dona da mostra é a Gatona, vítima fatal de um câncer no ano passado. Mãe, avó e bisavó, foi ela quem abriu a casa para Titico, Catatau ou Thiaguinho Lacerda, Gata do Breno, Sonsinho, Dentada e o mais novo e “esquisito” da casa, o Assombração. “A primeira foto que fiz foi dela”, lembra Mendes. A luz estourada deu um ar sombreado ao rosto de Gatona, estampado sob uma moldura branca.

Outros 19 quadros de gatos tomando leite, se banhando ou dormindo compõem a mostra aberta à visitação até o dia 1 de maio. O mais fotogênico é o charmoso Catatau. “Este é o meu preferido, fica bem em todas as fotos, por isso o chamo também de Thiaguinho Lacerda”, diz a mãe coruja enquanto segura o bichinho para uma foto. O Branco, um cão boxer que também mora na casa, bem que tenta tomar os olhos das visitas ao saltar sobre a lente da fotógrafa do JC, mas não adianta, no show dos felinos, ele é apenas coadjuvante.

Amadora

“Sabe aquelas funções que a máquina digital têm? Então, eu não domino nenhuma”, confessa a artista plástica Viviane Mendes. Para evitar críticas, ela já avisa que não tem pretensões de seguir no ramo, apesar do talento descoberto em captar momentos inesperados sob ângulo e luz não-convencionais.

“Gosto de fotografia, assim como de qualquer outra arte, mas nunca pensei em desenvolver um trabalho fotográfico”, diz. As fotos vieram por acaso, assim como os felinos que moram na casa. “Não gostava de gato por causa de um cachorro que tinha. Depois que ele morreu, os animais dominaram o espaço”, conta.

Para explicar a admiração nutrida pelos bichanos, Mendes cita personalidades como o escritor Carlos Drummond de Andrade e o artista plástico Aldemir Martins. “É clássica a relação de artistas e gatos”, diz. O porquê estaria no espírito de liberdade compartilhado por artistas e felinos. “Você não vê gato em circo, por exemplo. Ter que se submeter é a morte para um gato”, coloca Mendes.

Sobre os motivos que a levaram a expor sua aventurar por trás da lente, a artista diz: “É um trabalho muito oneroso. Mas quis fazer principalmente para despertar nas pessoas uma compaixão pelos gatos, animais tão perseguidos no passado e até hoje vítimas de preconceito”, defende.

• Serviço

Exposição “Gatos, Um Olhar de Viviane Mendes” será aberta hoje, às 21h, no Templo Bar (rua Benjamin Constant, 1-34). A visitação, gratuita, segue até o dia primeiro de maio. Mais informações: (14) 3223-3493.