Brasília - Os corredores da Câmara dos Deputados ficaram vazios ontem depois que o presidente da Casa Legislativa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), decidiu não realizar mais sessões deliberativas (com votações) no primeiro dia útil da semana. Chinaglia foi pressionado por líderes partidários na semana passada a acabar com as votações às segundas-feiras -depois que os deputados fizeram um apelo às lideranças para que permaneçam mais um dia da semana em seus domicílios eleitorais.
Ao contrário da maioria dos deputados, Chinaglia esteve na Câmara ontem, mas apenas em parte do dia. De manhã, despachou em seu gabinete. Diante do esvaziamento do Congresso, preferiu continuar trabalhando à tarde em sua residência oficial. Somente 75 dos 513 deputados registraram presença na Câmara ontem. No plenário, cadeiras vazias e poucos parlamentares que se arriscaram a discursar -uma vez que houve quórum apenas para a sessão ordinária, sem votações.
Volta ao velho ritmo
Tradicionalmente, a Câmara não realizava sessões às segundas-feiras, mas Chinaglia imprimiu um novo ritmo de trabalhos na Casa instituindo sessões deliberativas de segunda a quinta-feira na atual legislatura. Antes de Chinaglia, as votações ocorriam sempre às terças, quartas e quintas-feiras - o que voltará a acontecer. Nos três dias da semana, quem não comparecer terá os salários cortados no final do mês caso não apresente justificativas para os casos previstos no regimento. Já as ausências nas segundas e sextas-feiras não implicarão cortes salariais - o que na prática permite aos deputados permanecerem em seus Estados. Mesmo polêmica, a decisão dos deputados não trabalharem às segundas-feiras teve o aval de parlamentares do governo e da oposição.