08 de julho de 2026
Nacional

Presidente rebate Fidel e Chávez e volta a defender biocombustíveis

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil pode produzir biocombustíveis -álcool e biodiesel - sem comprometer a área destinada à produção de alimentos.

“Nós temos uma imensidão de um território, não apenas no Brasil, mas em todos os países da América do Sul, na África, que poderão tranqüilamente combinar a produção de oleaginosa para produzir o biodiesel, de cana para produzir o etanol, e ao mesmo tempo, produzir alimento”, disse Lula, no programa de rádio “Café com o Presidente”.

A produção de álcool de cana-de-açúcar para uso em automóveis vem sendo criticada pelos presidentes Fidel Castro (Cuba) e Hugo Chávez (Venezuela). Chávez já disse que o álcool é “totalmente irracional e antiético’’ e que seria “loucura’’ utilizar as terras da América Latina para “alimentar os veículos dos senhores do Norte”. Já o presidente cubano afirmou que a produção de álcool pode levar à morte prematura de 3 bilhões de pessoas.

Ontem, Lula disse não saber a origem dos dados apresentados por Fidel e por Chávez, com o qual teria reuniões na Venezuela ontem e hoje. “Eu não sei qual é a base técnica ou científica das críticas ainda. Eu espero que tenhamos oportunidade de discutir um pouco o assunto."

“O que nós precisamos é ser racionais, trabalhar com muito cuidado nisso, obviamente que nós temos que ter uma política de Estado orientando onde vai ser produzido, que tipo de coisa vai ser utilizada”, disse o presidente brasileiro.

Proposta

O assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que o Brasil bloqueou a proposta de “alguns países” para incluir no documento final da Cúpula Energética da América do Sul a afirmação de que os biocombustíveis ameaça a produção de alimentos e traz o risco de provocar falta de alimentos no mundo. Segundo Garcia, o documento final “fará menção a todos os combustíveis, porque petróleo de preço alto compromete a produção de alimentos.”

“Dissemos o seguinte: o perigo existe também no petróleo. Ouvi mais de uma vez, e acho que com justiça, do presidente Chávez dizer que a opção exclusiva pelo petróleo que se fez décadas atrás na Venezuela havia incidido negativamente sobre a agricultura do País”.

Encontro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a energia pode acelerar a integração da América do Sul. Ele participou ontem e hoje da 1.ª Cúpula Energética da Comunidade Sul-Americana de Nações, na Venezuela.

“O Brasil tem mostrado uma preocupação com a integração da América do Sul, e o item energia é um dos principais para que haja uma integração efetiva na América do Sul. O Brasil é um país que tem o privilégio de ter fronteira com dez países da América do Sul, só não temos fronteiras com o Equador e com o Chile. Precisamos estabelecer uma política de integração capaz de um país ajudar a suprir as dificuldade do outro no que diz respeito à energia”, disse ele ontem durante o programa semanal de rádio “Café com o Presidente”.

Parceria

Segundo Lula, o Brasil quer estabelecer parcerias para “para que nenhum país da América do Sul sofra qualquer crise por falta de abastecimento de energia’’.

“Isso leva a que nós tenhamos estabelecido um calendário. Esse é o primeiro tema importante que vai envolver todos os presidentes e os ministros já foram no domingo para avançar a discussão. E a nossa idéia é que a gente possa, primeiro, ter um diagnóstico correto da dificuldade de cada país na questão energética. Com esse diagnóstico correto na mão, nós então apresentaremos uma proposta do que fazer conjuntamente, onde arrumar dinheiro, qual projeto que nós vamos ter para que a gente tenha uma integração”, afirmou o presidente.

Investimentos

O presidente disse que uma integração na área energética entre os países da América do Sul trará mais atratividade para os investimentos na região. “É mais do que uma garantia. É a certeza de que os países da América do Sul estão preocupados em fazer uma integração da questão elétrica, mas também da questão das rodovias, da questão das ferrovias, da questão das pontes.”