Apesar da tensão entre dirigentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), registrada anteontem à noite, o segundo dia de greve dos coletores de lixo foi tranqüilo ontem. Dos 22 setores que deveriam ser atendidos, 11 não tiveram a coleta. Ao todo, 62 bairros ficaram sem o serviço, como o Jardim Bela Vista, Jardim Gérson Franca, Parque Vista Alegre e Jardim Redentor.
Diferentemente de segunda-feira, o presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, não compareceu ao pátio da coleta pela manhã. “Não adianta ficar. Daqui para frente, vai ser tudo judicial. Só vou conversar com o sindicato no ano quem vem (durante campanha salarial) e formalmente. Me agrediram pessoalmente”, reclama Barbieri.
Ele aguardava o resultado audiência entre as partes, realizada ontem à tarde no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas. Segundo a diretora do Sinserm Eliane Koti, a audiência agendada e as ameaças da Emdurb fortaleceram o movimento.
Já para Barbieri, a entidade impediu ontem os caminhões de saírem. “Quem mais sente é a população, mas nós não vamos brigar (já que a audiência estava marcada)”, explicava o presidente da Emdurb. Segundo o sindicato, justamente em consideração à população, a entidade garantiu ontem 50% da coleta.
Aumento
Após a tensão de segunda-feira, quando até boletim de ocorrência foi registrado pela Emdurb, o sindicato aventou a possibilidade de reduzir o número de coletores nas ruas para 30%, conforme prevê a lei. “A maioria (dos servidores) queria parar, pedimos para voltar para cumprir os 50%”, informa Koti. Ela aponta como inverídica a versão de que a entidade tenha obstruído, anteontem, a saída de caminhões.
Mas de acordo com Barbieri, como o Sinserm percebeu que a paralisação iria fracassar, passou a apelar. “Na minha frente eles tiram um funcionário de cima do caminhão, pela camisa. Quem queria trabalhar pediu para não ficar no pátio por causa das agressões. São chamados de pelegos”, comenta.
Diante da situação, alguns caminhões passaram a circular ontem com quatro coletores, sendo que o normal é três. De qualquer modo, pela manhã, a greve paralisou mais servidores que no dia anterior. O fato do prefeito Tuga Angerami autorizar a locação imediata pela Emdurb de cinco caminhões para reforçar a frota e iniciar licitação para adquirir seis novos veículos, teria estimulado a adesão.
“Era sinal que tinham dinheiro. Vão gastar mais de R$ 1 milhão”, comenta Koti.
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Alternativa
As lixeiras de bairros como o Jardim Redentor permaneceram lotadas ontem. A expectativa dos moradores era de que os caminhões da coleta passassem pela região. Caso contrário, o empresário José Antonio Franceschetti, por exemplo, já havia estabelecido uma estratégia para não permanecer com o mau cheiro em frente à porta de casa.
“Vou levar ao depósito de reciclagem (que fica no mesmo bairro). Lá, eles se viram (com o lixo orgânico). A obrigação da coleta é da prefeitura. Na hora de cobrar, não pode haver atrasos”, comenta.
Já o analista de sistemas Eduardo Rochestro, morador no Núcleo Habitacional Presidente Geisel, pretendia recolher o lixo até que a coleta seja normalizada. “O duro é que tem vizinhos que deixam o no chão. Os cães passam e levam tudo. O problema sempre sobra para o morador”, conclui.