A projeção do prefeito Tuga Angerami de intensificar esforços no equilíbrio das finanças municipais e investimentos na saúde pública, incluindo tratamento de esgoto, limpeza da cidade, coleta de lixo e reestruturação das unidades de atendimento médico básico, foi considerada tardia por algumas representações de classe de Bauru.
Apesar de considerarem pertinentes as áreas escolhidas, elas avaliam que setores como educação, pavimentação e transporte também não podiam deixar de constar na lista de prioridades daqui até o final do mandato.
“O prefeito está atrasado em suas ações, porque essas eram promessas de campanha. Estamos esperando tudo isso desde o primeiro dia em que ele assumiu a prefeitura”, critica Benedito Luiz da Silva, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). Ele diz que compreende e conhece as dificuldades que o prefeito tem enfrentado com a escassez de recursos, porém, acredita que faltou empenho da administração para minimizar os efeitos negativos desse cenário.
Na opinião de Silva, é possível o prefeito colocar em prática as metas anunciadas antes do fim do mandato. “Se ele quiser, dá para fazer. Mas, depende também do aporte de recursos e do pessoal que será delegado a executar o anunciado, porque o prefeito tem uma série de problemas de gestão interna”, acrescenta o presidente da Acib.
As metas de Tuga não podem ser consideradas um projeto de governo na opinião do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Marques Coube. “Faltando um ano e meio para o final do governo, falar que definiu projetos não é nem correto. Projeto, rumo, prioridade se elegem no início de mandato. Entendo que ele elencou os quatro temas que mais incomodam a cidade e sua equipe para concentrar os esforços finais nessas áreas”, avalia.
O diretor diz ainda que as prioridades anunciadas por Tuga contemplam o mínimo que se espera de uma administração pública. “Tratam-se de medidas que poderiam ter começado no primeiro dia de mandato. Aí sim haveria condições para se atacar essas frentes de uma forma muito mais enriquecida com parcerias e apoio de entidades”, conclui.
Na visão de Ralph Ribeiro Júnior, coordenador do Grupo Pró-Bauru, Tuga também desperdiçou oportunidades, que agora poderiam ajudar a conter os problemas na saúde pública e finanças. “Faltou planejamento estratégico e ações de curto, médio e longo prazo para que a cidade pudesse se desenvolver. O governo poderia, por exemplo, ter aproveitado o número de escolas do município para transformar Bauru num pólo de educação e desenvolvimento”, completa.
As críticas a Tuga também vieram do meio religioso. Na opinião do vigário-geral da Diocese de Bauru, Luís Antônio Carqueijo Sé, a lista de prioridades do prefeito até o fim do mandato deixam muito a desejar. “É a primeira vez que vejo um governante traçar metas no fim da gestão. São pontos que deveriam ter sido traçados no início do governo”.
O presidente do Conselho de Pastores Evangélicos, Édson Valentim, defende que a área de educação não poderia ter ficado de fora das prioridades do atual governo. “Pela falta de recursos que a prefeitura enfrenta, priorizar o que é mais importante é uma necessidade. Mas acredito que a área de educação, assim como a saúde, é importante para a população”, acrescenta.
Asfalto
Ruas esburacadas, educação de qualidade e transporte público adequado também tinham de ser vistos como prioridades pelo prefeito Tuga. Essa é a opinião do coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru e região, Francisco Wagner Monteiro.
“A educação precisa ser melhorada, o transporte coletivo não pode ficar com as catracas eletrônicas no lugar dos cobradores, sem dizer que o município necessita de recapeamento urgente. Por conta disso, o pacote do prefeito é falho”, ressalta o sindicalista.
Para ele, o prefeito deveria ter levado o assunto à discussão pública para escalonar as prioridades sócio-administrativas de Bauru.
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Fiesp pede distrito
As prioridades apontadas por Tuga até o fim de seu governo foram avaliadas como pertinentes pelo titular do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Luiz Miranda Simonelli. Ele diz que compreende o problema de caixa da prefeitura, mas que, no caso de sobra de recursos, acredita que o governo municipal deveria levar em consideração a viabilização de mais um distrito industrial.
“Bauru conta, hoje, com pouco espaço para a instalação de indústrias. Porém, essa nova área teria de ser viabilizada com toda a infra-estrutura necessária, incluindo rede de tratamento de esgoto, iluminação, asfalto e, principalmente, documentação regularizada”, enfatiza Simonelli.
Para o representante da Fiesp em Bauru, a cidade também é prejudicada pela falta de liderança política em Brasília. “Bauru pode contar apenas com recursos de rotina advindos do Estado. A cidade não tem sido agraciada com verbas federais. Isso tem feito a diferença no desenvolvimento do município”, avalia.