11 de julho de 2026
Geral

Indiozinhos conhecem animais caçados por gerações anteriores

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Na véspera do Dia do Índio, comemorado hoje, cerca de 20 crianças da aldeia indígena de Araribá conheceram ontem, no Zoológico Municipal de Bauru, animais caçados por suas gerações anteriores. Antas e veados são exemplos. Pela primeira vez, viram ainda uma ema. O animal até batizou um ritual que os guerreiros terenas praticavam antes de ir ao combate, também chamado de bate-pau.

Mas apesar de treinarem cada movimento da dança da ema e de ontem apresentá-la para mais de mil crianças de escolas particulares que vieram conhecê-los, na aldeia os indiozinhos também só convivem com animais domésticos. “Mas eu vi uma cobra”, adverte Ezequiel Dias Maria, 8 anos, ao entrar no zoológico. A realidade dele denota as dificuldades atualmente enfrentadas pelos índios de Araribá.

“Não temos como caçar e pescar e a terra nem sempre é boa para o plantio. Temos de sair para comprar. É difícil”, comenta o assessor indígena Benedito Maria. Ele conta que os projetos do governo federal não conseguem atender as necessidades das 140 famílias da terra indígena. Para reverter a situação, ele aposta no intercâmbio entre índios e brancos.

“Ajuda a mostrar a nossa realidade. Ainda não somos tão respeitados quanto deveríamos”, acrescenta, ao referir-se aos mitos que ainda sobrevivem. “Não andamos mais sem roupas”, ressalta. As alunas Ana Carla Manzano e Bruna de Agostini, que cursam a 6ª série de um colégio particular, também descobriram que os índios não vivem mais em ocas, como contavam os livros.

Para estreitar laços, a coordenadora da escola onde ambas estudam, Sandra Yoshiura, propôs um novo intercâmbio entre as duas culturas, a ser agendado em breve. “Quanto mais informações temos, maior a valorização e a conscientização pela busca de direitos”, explica.

Com trabalhos semelhantes, é possível que um dia desapareçam conceitos como o de que índio não gosta de trabalhar e é beberrão, comenta a índia Claudete de Camilo Lipu. Ontem, ela vendia ornamentos e cerâmicas no evento realizado no zôo. Em qualquer circunstância, a comunidade de Araribá continua preservando suas tradições.

Ontem também apresentaram para mais de mil alunos de 24 escolas particulares a dança da chuva, da qual só as mulheres participam. “Essas apresentações e trocas (de informação) são o nosso objetivo”, conclui Ricardo Barbosa, coordenador do evento do qual participaram cerca de 50 índios.