09 de julho de 2026
Geral

Tia-avó faz parto do sobrinho em casa

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 4 min

Um parto à maneira antiga: em casa e com parteira. Foi assim que ontem pela manhã nasceu Herik Matheus da Silva Ferreira, que apressou sua chegada e veio saudável, com 3,27 quilos e 59 centímetros, no Parque Jaraguá. O detalhe é que ele nasceu pelas mãos da tia-avó Rosimara da Silva, trabalhadora rural e filha de uma parteira, mas que nunca havia ajudado em um parto anteriormente. Apesar da inexperiência, ela fez todos os procedimentos corretos e salvou a vida da criança.

Ontem à tarde, já na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, onde ficou internada, a mãe da criança, Valéria da Silva Ferreira, exibia orgulhosa o filho, que estava previsto para nascer somente no próximo dia 27, e contava a história. “Acordei pela manhã, arrumei meu filho mais velho para ir à escola. Antes de sair levando o menino, meu marido perguntou se estava tudo bem, eu disse que sim. Estava sentindo um pouco de cólica, mas nada grave”.

O marido, preocupado, então ligou para a tia de Valéria, que foi até a casa da sobrinha e chamou a ambulância. Em cerca de meia hora, as dores de Valéria aumentaram e Herik Matheus veio ao mundo logo após a bolsa romper e sem dificuldades. Quem ajudou o garoto a nascer foi a tia-avó, que para tranqüilizar a sobrinha garantiu: “Se a ambulância não chegar, eu seguro as pontas”. Foi o que Rosimara fez: segurou com todo amor do mundo o garoto.

Ela disse que não teve medo na hora, mas depois do menino nascido entrou em pânico. “Ele não chorava e a Valéria perguntava, com medo, se ele estava morto”, contou Rosimara. Corajosa, ela ergueu o sobrinho-neto pelos pés e lascou um tapinha em seu bumbum. O menino continuava sem chorar, então, Rosimara aspirou a boca do bebê. “Eu não sabia o que fazer, então tentei sugar a boca do Herik e ele soltou toda a água (líquido da placenta) que havia engolido durante o parto e chorou”, completa.

Assim, já com o filho nos braços, foi a maneira que a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encontrou Valéria. Para homenagear Rosimara, Valéria deu ao filho o nome sugerido por sua tia. O médico que atendeu a ocorrência, Luis Antônio Betti Pio da Silva, esclareceu que Rosimara agiu corretamente ao aparar a criança durante o parto. “Sem equipamento algum, ela agiu corretamente”, disse.

Segundo o médico, a tia-avó foi fundamental para a vida da criança ao fazer a aspiração do líquido que a impedia de respirar. Pio da Silva ainda esclarece que Rosimara fez bem em não cortar o cordão umbilical ou remover a placenta. “Se o desligamento entre mãe e filho não for feito corretamente, o bebê corre risco de morte. Isso ocorre porque o cordão umbilical é rico em vasos sangüíneos de alto calibre. Uma hemorragia pode causar grandes danos à criança e até mesmo a levar a óbito” completa.

Além do risco de hemorragia, o bebê corre o risco de contrair infecções no pós-parto, além de outras complicações como enforcamento, se o cordão umbilical estivesse enrolado no pescoço. Nos casos em que o bebê não está na posição correta, com a cabeça voltada para saída do útero, é indicado que a parteira espere um médico para realizar o parto. Pio da Silva explica que, dependendo da posição da criança, a cesariana é indicada.

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Riscos para mãe

A mãe também corre riscos durante o parto, por isso é indicado que o procedimento seja realizado em um hospital e por um profissional da área de saúde habilitado, explica o médico Luis Antônio Betti Pio da Silva. Para saber qual a hora da chegada do bebê, a mãe deve observar seu corpo. É comum que as dores tenham intervalos cada vez menores até a hora do parto, a freqüência de dez minutos indica que o nascimento está próximo.

Além de mais freqüentes, as dores se tornam mais intensas. Fora esse indício, a mãe pode observar se o corpo expeliu um muco e se existe rompimento da bolsa. O maior indicativo é a liberação do líquido que envolve o bebê e que pode chegar a meio litro.

Mulheres que já tiveram um filho ou mais através de parto normal tendem a ter o segundo filho com mais rapidez. No caso de Valéria da Silva Ferreira, o primeiro filho demorou cerca de nove horas para vir ao mundo, enquanto o último nem mesmo esperou a ambulância. O apressadinho Herik Matheus levou apenas meia hora entre os primeiros sinais do parto para das seu primeiro choro.