Lençóis Paulista - A denúncia de que o servente de pedreiro Josemar Alves Ramos, 24 anos, teria sofrido um espancamento na última sexta-feira, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), passou a ser acompanhada pelo Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo no inquérito policial.
Em matéria do JC da última segunda-feira, Ramos afirmou que teria sido vítima de espancamento por um grupo, mas não forneceu detalhes. O que efetivamente ocorreu com o servente de pedreiro, inicialmente averiguado por suspeita de prática de roubo, passou a gerar dúvidas. Seu advogado, Décio da Silveira Correia Neto, reafirmou ontem ao JC a versão de que Ramos foi vítima de violência. “Meu cliente foi seqüestrado na porta da delegacia. Foi amarrado, espancado, torturado e teve suas partes íntimas queimadas com cigarro. Eu tenho as fotos e a perícia médica que irei apresentar no momento correto”, revela.
Amedrontado, o servente não quis registrar a agressão na polícia. No entanto, procurou o advogado para representar ao MP o pedido de instauração de inquérito para apurar responsabilidades. “Devido às circunstâncias optei por fazer o pedido ao MP”, explica Correia Neto.
O advogado diz ainda que prefere não dar detalhes a respeito do assunto porque seu cliente foi ameaçado e corre risco de morte. “Vou esperar que as formalidades sejam cumpridas. Ele foi ouvido na delegacia, mas não há registro de seu depoimento no caso do possível roubo.”
O delegado titular da cidade, Luiz Cláudio Massa, disse ontem que o espancamento do servente de pedreiro não foi registrado e que ele foi encaminhado para lá, na última sexta-feira, para averiguação.
Panela de pressão
O 1.º Promotor de Justiça da cidade de Lençóis Paulista, Henrique Varonez, confirmou, ontem, que já tomou conhecimento do caso e pediu que seja instaurado um inquérito policial para apurar, não só o espancamento, mas todos os fatos que culminaram com o crime. “Temos, em tese, um roubo e um espancamento. Quero ter conhecimento de todos esses fatos para poder me pronunciar”, salienta.
Para ele, o fato da vítima ter sido levada para a delegacia e seu depoimento não estar registrado não é sinônimo de algo irregular. “O processo investigatório tem várias fases. Em tese, pode ter sido a coleta de informações, uma vez que o inquérito ainda não estava instaurado.”
Varonez enfatiza que os casos apresentam várias versões. “Eu recebi só a versão da vítima, através de seu advogado.”
Prévia
A notícia de que a vítima foi espancada depois de ter sido revistada na rodoviária bastou para que fosse instaurado um procedimento prévio para apurar se houve alguma participação da Polícia Militar (PM) nos fatos, informou ontem o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Pedro Batista Lamoso.
O caso foi apurado pelo tenente Alan Terra, que chegou à conclusão de que os policiais militares, que tiveram seus nomes mantidos em sigilo, não tiveram nenhuma participação no espancamento. “Os dois foram chamados na Estação Rodoviária para apoiar um policial civil que havia encontrado o suspeito de um roubo. O suspeito foi revistado e levado para a delegacia e os policiais militares liberados.”
Ainda na apuração dos fatos, o tenente verificou que o servente foi ouvido e dispensado da delegacia. “Quando ele usava um telefone público instalado na frente da delegacia, teria chegado um Monza que o seqüestrou. O telefone foi arrancado e ficou dependurado. A cena foi vista por uma investigadora de plantão, que se assustou com a arrancada do carro”, acrescentou.