10 de julho de 2026
Nacional

PF tumultua aeroportos pelo País

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Filas de mais de três horas, protestos e tumulto nos principais aeroportos do País marcaram a greve de 24 horas que os servidores da Polícia Federal (PF) deflagraram ontem.

Além de paralisar parcialmente as atividades nas unidades e superintendências da PF, onde são emitidos os passaportes (só casos de emergência foram atendidos), a categoria realizou operação-padrão em aeroportos, portos e fronteiras. Com isso, a fiscalização foi bem mais demorada do que o normal -em aeroportos internacionais, todos os passageiros tiveram de passar por vistoria, geralmente feita por amostragem.

Nos vôos domésticos, o procedimento, que quase nunca é realizado, foi obrigatório. "O sindicato quer que a população valorize os policiais federais. A paralisação não é para prejudicar ninguém", disse o presidente do sindicato da categoria, Luís Cláudio Avelar.

Foi a quarta paralisação dos agentes da PF neste ano. A categoria reivindica a segunda parte do aumento salarial, conforme prometido pelo governo Lula em 2006, de reajuste de 60%. Os salários da PF variam de R$ 4.000,00 a R$ 15 mil.

Entidades que representam os servidores têm reunião hoje com uma equipe do Ministério do Planejamento para negociar os termos do acordo. Agentes federais afirmavam que, caso não haja acordo, novas paralisações poderão ocorrer em todo Brasil.

Segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), toda a categoria, entre delegados, agentes, escrivães e peritos aderiu à manifestação. O Ministério da Justiça não se pronunciou sobre a greve.

Fila quilométrica

O aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, foi o mais afetado pela paralisação ontem. No início da noite, pelo menos 3 mil pessoas aguardavam para passar pelos setor de controle de passagem. As filas se estendiam por cerca de dois quilômetros. "Ninguém me explicou o que está acontecendo. Essa situação é injusta. Viajo muito pelo mundo e nunca vi isso", disse o administrador Adbulbassit El Beik, que ia para Marrocos.

Para o francês Joel Mitey, a longa fila tinha, sim, uma explicação. "Isso é o Brasil." O presidente do sindicato dos delegados da PF em São Paulo, Amaury Portugal, disse que o objetivo não era "causar transtornos à população'', mas admitiu que o movimento só tem visibilidade quando há filas. "Mas estamos trabalhando completamente dentro da lei." Portugal usava uma camiseta com a frase "Polícia Federal traída por Lula".

Em Salvador (BA), as filas no aeroporto Luís Eduardo Magalhães ocupavam mais da metade do saguão no fim da tarde, quando cinco vôos internacionais registravam atraso. Segundo o sindicato da PF na Bahia, alguns passageiros esperaram até duas horas para embarcar, o que gerou protestos.

Também houve operação-padrão na ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), para onde 60 policiais foram deslocados. São apenas cinco agentes normalmente. A superintendência da PF, na Lapa (zona oeste), fechou. Cerca de 200 pessoas que estavam numa fila desde às 4h30 se aglomeraram em frente ao portão em busca de informações. Mas os usuários só souberam às 10h30, pelo carro de som dos grevistas, que só os casos emergenciais seriam atendidos.