Teoricamente, uma casa que tem energia elétrica deveria contar também com iluminação pública na rua. Mas essa não é a realidade em vários bairros de Bauru, onde faltam 2 mil pontos de luz. Diante da situação, no Jardim Tangarás, os próprios moradores resolveram assumir o papel do poder público e iluminar, por conta própria, as ruas do bairro.
Nos postes que sustentam os fios de energia da maioria das ruas do bairro não existem braços e bocais de luz. No entanto, na maioria das residências há bico de luz improvisado, que substitui a iluminação pública.
Há 21 anos morando no Tangarás, o pedreiro Benedito Rodrigues, 45 anos, viveu todas as fases do bairro. “A energia só chegou três anos depois que mudei. Mas a luz na rua até agora, ainda não. Quem quer ajudar, improvisa”, conta ele, que tem um depósito de recicláveis e instalou “dois postes de iluminação pública” por conta própria.
“Eu instalei esses dois, mas não deixo aceso a noite inteira porque senão a conta vem muito alta”, lamenta o “empreendedor” da quadra 7 da Antônia B. da Conceição Zuiani.
‘Encarcerado’
A partir da casa de Rodrigues, que já foi assaltado três vezes e prefere não sair da residência durante a noite, é possível observar o horizonte e constatar a presença de vários postes iguais aos improvisados por ele.
Sérgio Wagner Monterani, 31 anos, é vizinho de Rodrigues e trabalha à noite. Com receio da escuridão do bairro, ele e um colega caminham sempre juntos para chegar ao trabalho sem passar por imprevistos no decorrer do itinerário “Não dá para ir sozinho”, argumenta.
E quando ele está trabalhando, também não consegue parar de pensar se a família ficou a salvo, em casa. “Quando cai a noite, a gente entra e não sai porque é muito perigoso. Já fomos assaltados uma vez. É complicado deixar a mulher e os três filhos e sair”, afirma.
Rodrigues pensa em vender seu depósito e se mudar de Bauru. Já Monterani, menos radical, diz que está à procura de uma casa para locação que esteja situada numa rua iluminada.