09 de julho de 2026
Nacional

‘Furacão’: Supremo bloqueia contas e bens de 50 pessoas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou ontem o bloqueio de bens e contas bancárias de cerca de 50 pessoas - os 25 presos pela Operação Hurricane (furacão), seus familiares e sócios - na investigação que apura o esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos. O pedido de bloqueio de bens foi feito pela Polícia Federal (PF).

A PF considera já ter reunido elementos suficientes para pedir a prisão preventiva dos 25 presos. O STF determinou na terça-feira a prorrogação da prisão temporária deles por mais cinco dias. Para a PF, há elementos que comprovam a ligação dos presos com uma organização criminosa especializada na compra de sentenças judiciais para favorecer a máfia de jogos. A PF pretende ainda pedir um rastreamento de operações financeiras internacionais de pessoas ligadas à máfia. O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, também pode pedir a quebra do sigilo bancário dos investigados.

Depoimentos

Os últimos cinco dos 25 presos na Operação Hurricane a depor para a Polícia Federal pouco colaboraram com as investigações sobre o esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos. Eles começaram a depor anteontem à noite e foram ouvidos até a madrugada.

Advogados dos presos ouvidos pela reportagem voltaram a reclamar do tratamento dispensado a seus clientes pela PF. Alguns reclamaram que seus clientes estão sofrendo pressão psicológica para colaborar com as investigações. No entanto, os advogados estão orientando os clientes a permanecerem em silêncio porque temem que a PF tenha “alguma carta na manga” contra os presos.

Os 25 presos poderão receber a primeira visita de familiares e amigos nesta quinta-feira. Entre os detidos estão magistrados, bicheiros, policiais, empresários, advogados e organizadores do Carnaval do Rio. Eles são acusados de praticar os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, quadrilha e lavagem de dinheiro. O primeiro a receber visitas foi o advogado Jaime Dias. Ele recebeu a visita da sua mulher e de seu pai. Os familiares podem levar para os presos, segundo os advogados, quatro bananas, quatro peras, quatro maçãs, quatro goiabas, 1 quilo de biscoito sem recheio, quatro litros de suco de caixa, material de higiene pessoal, toalha de banho, lençol e cobertor.

Segundo a PF, todos os presos que estão na superintendência da PF de Brasília têm direito a receber visita uma vez por semana. Todos os visitantes têm que passar por revista. As visitas podem ser feitas das 8h às 12h e das 15 às 17h e duram uma hora. Cada preso tem direito a receber duas pessoas, que podem ser familiares ou não. A visita é feita no parlatório, onde não há contato físico e a conversa é feita por meio de interfone, pois há um vidro que separa as salas.

Preventiva

A Polícia Federal considera já ter reunido elementos suficientes para pedir a prisão preventiva dos 25 presos. O Supremo Tribunal Federal determinou na terça-feira a prorrogação da prisão temporária deles por mais cinco dias. Fontes da PF dizem que o pedido da prisão preventiva será de 30 dias. Para a PF, há elementos que comprovam a ligação dos 25 presos com uma organização criminosa especializada na compra de sentenças judiciais para favorecer a máfia de jogos.

O procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, disse ontem que os advogados dos presos pela Polícia Federal não têm motivos para reclamar de suas condições de trabalho. “Eles reclamam sem razão porque os interrogatórios da polícia estão sendo feitos com a presença de advogados”, afirmou.