08 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inadimplência no comércio cresce 54%

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A inadimplência no comércio de Bauru neste mês em comparação com o mesmo período do ano passado está maior. Levantamento feito a pedido da reportagem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) - ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru - revela que do dia 1 deste mês até anteontem, o número de nomes incluídos na lista de maus pagadores do SPC cresceu 54,45% sobre o mesmo período de 2006.

No ano passado foram registrados pela CDL 1.671 casos de inadimplência nos primeiros 19 dias de abril, contra 2.581 inclusões neste mês - 910 nomes a mais.

“Esse cenário resulta do impulso consumista das pessoas, que é agravado pelo crédito fácil e prolongado oferecido hoje no mercado”, avalia Aldemiro José Alves, vice-presidente da CDL.

“O consumidor não planeja suas aquisições. Ele compra até enquanto as parcelas cabem no bolso. Na hora de pagar, nem sempre o orçamento é suficiente”, acrescenta o economista e professor Carlos Roberto Sette.

O crescimento do índice de inadimplência em Bauru é considerado alto, embora um mesmo nome que foi incluído no SPC possa constar mais de uma vez na lista. Em janeiro deste ano, conforme matéria publicada pelo Jornal da Cidade, a CDL estimou que cerca de 100 mil consumidores haviam perdido o poder de compra na cidade por falta de pagamento.

Sette destaca que as vendas a prazo podem parecer positivas para o comércio, porém, nem sempre o retorno esperado se concretiza. “O cliente vai comprando (sem medida) e, quando as contas começam a vencer, alguma coisa acaba ficando para trás. Sem falar que, em geral, as pessoas não contam com certas eventualidades, como gastos com médico, farmácia. Isso pode prejudicar muito o pagamento dos compromissos financeiros”, ressalta o economista.

Compras supérfluas são outro agravante da inadimplência, na opinião do professor. Ele sugere que as pessoas procurem comprar aquilo que efetivamente seja necessário dentro de casa. “Tem gente que, apesar de ter uma TV de 20 polegadas, não mede conseqüências para comprar uma de 29 e deixa encostada a outra. Atitudes como essa têm de ser evitadas”, completa.

Equilíbrio

Equilibrar o orçamento e não entrar no vermelho são tarefas que exigem esforço, porém, não são impossíveis para ninguém. O economista lembra que a regra básica para uma vida financeira saudável é a administração constante do orçamento. Isso quer dizer que não se deve gastar mais do que se ganha, nem adquirir o que não faz falta no momento. Outra medida fundamental é não comprometer toda a receita do mês com parcelamentos.

“O ideal é destinar até 20% do ordenado para gastos extras, que na verdade é mais ou menos o quanto acaba sobrando para uma pessoa organizada”, orienta Sette.

Ele ainda ressalta que o ideal é guardar dinheiro para efetuar a compra à vista ou dividir o valor em poucas prestações.

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Nome limpo

Recuperar o crédito na praça requer corte drástico de gastos e ceder menos ao impulso consumista, incentivado principalmente pelas campanhas de marketing.

De 1 a 19 de abril deste ano, a CDL constatou que 1.988 nomes foram retirados da lista de inadimplência do SPC. Em comparação com o mesmo período de 2006, o saldo de consumidores que retomaram poder de compra foi positivo: 15,4%, já que no ano passado saíram 1.728 nomes da lista.

Na opinião do economista Carlos Sette, essa tendência pode ter sido impulsionada pela proximidade do Dia das Mães, quando as pessoas procuram regularizar seus débitos para fazer novas compras.

“Boa parte vai pagar o que deve e, se não fizer um controle do orçamento, o que é muito provável, vai voltar a ficar devendo”, constata.

Segundo André Ribeiro Miranda, gerente de uma loja de confecção masculina e feminina no Centro de Bauru, muitos clientes já começaram a regularizar as contas atrasadas por conta do Dia das Mães. “O pessoal está procurando pagar o que deve para reativar o crédito e fazer nova compra para a data”.