08 de julho de 2026
Geral

Casa histórica corre risco de cair

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos últimos registro do período “pré-ferrovias” em Bauru, uma casinha já tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Município (Condepac) na quadra 2 da Araújo Leite, está se deteriorando. Um estudo que previa a desapropriação da casa para restauração e instalação de projetos culturais foi abandonado pela prefeitura.

O imóvel, provavelmente erguido na década de 20, é apontado pelo Condepac como a única construção do período da formação de Bauru, antes do “boom” de crescimento promovido pela chegada das rodovias na cidade. Mas o prédio, que já soma mais de oito décadas, está cedendo ao tempo. Com destelhamento, buracos nas paredes e piso velho, é quase um milagre verificar que o casebre resistiu à última temporada de chuvas.

Construída como uma única casa, o imóvel foi dividido ao meio por uma parede de madeira. Em uma das laterais, a construção possui um grande buraco, que está enchendo uma das salas de terra. Como a prefeitura desistiu de desapropriar e restaurar a casa, a família que herdou o imóvel acredita que conseguirá reverter o processo de tombamento, já que também não possui planos de restaurar o patrimônio histórico.

Para Emília Dias Garla, 77 anos, uma das herdeiras, o desejo da família era poder vender o terreno para dividir o dinheiro entre todos, inclusive um irmão que sofre com paralisia. Garla ressalta que a casa não tem condições de permanecer em pé por muito tempo. “Ela foi construída sem alicerce, com barro. O telhado está caindo e uma parte da parede também. Acredito que ela só não desmoronou, porque o vento não bate nela de frente”, avalia.

O presidente do Condepac, Henrique Perazzi de Aquino, avalia que a prefeitura atravessa um momento difícil e, por isso, a decisão foi de não investir no imóvel tombado.

“Levaremos essa decisão da prefeitura para a próxima reunião do Condepac. Com a opção pela não- desapropriação, vamos definir como lidar com esse assunto”, observa Aquino. Ele ressalta a importância de preservar prédios antigos para o enriquecimento da memória histórica da cidade, mas ele afirmou que a posição da família também deve ser considerada.

“Aquele imóvel não tem como ser alugado. E aquela área voltou a ser valorizada com a construção do Poupatempo. Além disso, não queremos ser o ponto de discórdia”, pondera. Entre as hipóteses para o destino da casinha, estão projetos de restauração em parceira com a iniciativa privada e até mesmo o “destombamento”. Nesse caso, a família poderia demolir o imóvel e vender a área.

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Imóveis tombados

Bauru contava até o ano passado com 32 imóveis tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Município (Condepac). A lista de edificações protegidas ou em processo de tombamento reúne cinco igrejas de diferentes religiões; hotéis, como o Cariani, Estoril e Milanez, a Estação Noroeste do Brasil, os colégios São José e Ernesto Monte e os hospitais Beneficência Portuguesa e antigo Sanatório de Aimorés.

A lista inclui o Quartel da Polícia Militar da rua Major Fonseca Osório, o Prédio Abelha na 1 de Agosto, e a sede da Fazenda Val de Palmas. O prédio da prefeitura já foi tombado e o da Câmara também deverá ser. Na Santa Casa de Misericórdia, por exemplo, a Capela de Nossa Senhora do Líbano foi tombada. Já no Cemitério da Saudade, apenas o portão de entrada está protegido.

Entre os processos em discussão, estão o da fachada externa do antigo CAT/Sementeira, hoje o Poupatempo; a casa da família Quaggio, o carrilhão do Santuário Nossa Senhora Aparecida, o Mosteiro da Imaculada Conceição e a Rosa dos Enjeitados (Roda dos Inocentes).