Em um único dia, ontem, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu a confirmação de mais 144 casos de dengue em Bauru, que agora soma 504 pessoas com a doença desde o início do ano. Ou seja, uma média de 4,5 pessoas infectadas todos os dias na cidade, que tem cerca de 350 mil habitantes. Se a moléstia continuar crescendo no mesmo ritmo, até o final do outono o número de infectados poderá chegar a 778.
Mas a expectativa é que, com a aproximação do inverno e a conseqüente redução das chuvas, caia o índice de infestação do Aedes aegypti e, assim, a incidência da doença. Dos 144 casos novos de dengue, 139 são autóctones, ou seja contraídos na cidade, três importados - as pessoas foram picadas em outras localidades – e outros dois em trânsito.
“Dizem que a dengue é semelhante à gripe, mas pelo menos no meu caso foi muito pior. Fiquei de cama, com muita febre. Não agüentava erguer a cabeça de tanta dor”, conta a professora Elisângela Oliveira Santos, que contraiu a doença no início do ano. Moradora na Vila Universitária, um dos bairros de maior incidência da doença na cidade, agora ela tem medo da dengue hemorrágica, que pode levar à morte. Isso porque tem mais chance de contrair o tipo hemorrágico quem já foi infectado uma vez.
Existem quatro sorotipos da doença. Três já estão circulando no Estado de São Paulo, inclusive em Bauru. A predominância em território paulista é do tipo 3, informa a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde. Com a circulação de vários vírus, aumenta a chance de quem já teve dengue contrair a doença de outro tipo, explicou o infectologista Fernando Monti ao JC no mês passado. Ao vírus já contraído, a pessoa fica imune.
Apesar deste ano Bauru ter batido recorde de casos de dengue – o maior dos últimos 12 anos –, não há registros nem suspeita da forma hemorrágica da doença, que é a mais grave e pode levar à morte. Porém, pelo menos seis pessoas já morreram vitimadas pela dengue hemorrágica neste ano no Estado de São Paulo.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que as equipes de nebulização estão, desde quinta-feira passada, aplicando inseticida, que mata o mosquito Aedes adulto, no Núcleo Nova Bauru.
Os funcionários vão, inclusive, trabalhar hoje, que é feriado de Tiradentes. O Aedes se procria em água parada. Portanto, qualquer recipiente que possa acumular água – pneu velho, lata, garrafa, vaso de planta e até casca de ovo – pode ser foco do mosquito.
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Intervenção do Estado
A alta incidência de dengue em várias cidades do Estado de São Paulo levou a Secretaria de Estado da Saúde a montar um grupo para combater o mosquito Aedes aegypti nestas localidades. A primeira cidade a receber a equipe, nesta semana, foi Sumaré.
Bauru está na lista das cidades que serão visitadas pelas equipes, que estarão munidas de desinsetizadores. Os profissionais também irão vistoriar criadouros e orientar a população.
Em todo Estado, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) vai contratar 120 pessoas para o combate à dengue – para Bauru será apenas uma, na função de motorista. Porém, até ontem, a Secretaria do Estado da Saúde ainda não tinha previsão de quando vai atuar em Bauru.
Da Redação