Ex-funcionários da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), com direitos trabalhistas pendentes desde 2002, se reuniram na manhã de ontem e decidiram formar uma coalizão para fiscalizar o leilão de nove imóveis de propriedade da empresa, cujo valor seria revertido para sanar as antigas pendências.
Os cerca de 900 trabalhadores demitidos em 2002 não concordam com a avaliação do valor venal dos imóveis, R$ 3,2 milhões. Eles acreditam que o preço justo pelos terrenos ultrapassaria R$ 6 milhões.
O leilão está marcado para o dia 14 de maio, às 13h, na 1.ª Vara do Trabalho de Bauru. Os ex-servidores acreditam que, caso os terrenos sejam vendidos abaixo do valor estimado por eles, as dívidas trabalhistas não sejam pagas corretamente. Por isso afirmam que irão se unir, reivindicando para si a administração da venda dos terrenos.
“Vamos acompanhar o leilão e não permitiremos que a garagem seja leiloada pelo valor anunciado, sem reajuste desde 2002”, afirma Dirço Hernandes, motorista aposentado.
De acordo com Valter Cardoso, organizador da reunião, o Ministério Público sinalizou que o valor será atualizado. “O promotor (Luís Henrique Rafael) esteve presente na reunião e garantiu que uma pessoa especializada irá reavaliar a área. Caso haja algum interessado no leilão, ele terá que pagar o valor atualizado. Do contrário, vamos nos unir e pedir que a condução das negociações seja feita pela gente”, explica.
Nos autos do processo, a dívida com os ex-servidores é avaliada em torno de R$ 4 milhões. No entanto, os trabalhadores estimam que ela chegue a R$ 10 milhões hoje, com a atualização dos valores.