08 de julho de 2026
Geral

Wicca: a bruxaria no século 21

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Presente no imaginário popular, as bruxas e feiticeiras têm sido retratadas, ao longo dos séculos, como mulheres más. Para muitas pessoas, porém, essa é uma visão preconceituosa, que jamais correspondeu à realidade. As temidas bruxas seriam, na verdade, mulheres profundamente identificadas com a natureza, que não fazem sacrifícios nem têm a finalidade de disseminar o mal, muito menos realizar cultos satânicos.

“Nos rituais de bruxaria não deve haver sacrifício nem dor. Eles têm de ser voltados apenas para o bem. Se a intenção é fazer mal a alguém, esse mal pode se voltar contra você”, revela Camila Ferreira, 23 anos, uma bruxa bauruense. Ela conta que perdeu muitos amigos por conta dessa visão “distorcida e equivocada” que as pessoas fazem das bruxas.

“Muitos dos meus amigos pararam de andar comigo quando souberam que eu era uma bruxa. Eles ficam com medo e desaparecem”, diz Camila. Outros a transformaram em motivo de piada. “Eles dão risadas. Acham que é coisa de criança.” Mas o mais comum é as pessoas se assustarem. “Uma amiga disse que iria levar um pastor para exorcizar minha casa, mas não voltou mais. Ela parou de me ligar. Foi minha amiga até entrar no meu quarto”, fala Camila, que mantém um altar em seu quarto com os instrumentos típicos da bruxaria. Ela mora com o pai, que não vê nada de mais no fato da filha ter escolhido ser uma bruxa.

Tradicionalmente, o altar deve ficar ao Norte. Uma vela preta é colocada a Oeste simbolizando a Deusa, e uma vela branca a Leste para o Deus. No altar deve estar o cálice, o athame, o pentagrama, a varinha e outros objetos utilizados nos rituais, como punhal, flores e incenso.

As ferramentas de trabalho de uma bruxa que nunca podem faltar é a vassoura (de palha ou de ervas aromáticas, que servem para a limpeza energética), a varinha (feita de galho de arvore, projeta a energia da pessoa), o caldeirão (simboliza o útero, o local onde as coisas se transformam) ou o punhal (faca ritualística com amplas funções, como cortar forças negativas e direcionar energias).

Também é comum encontrar no altar símbolos para os quatro elementos. Ou seja, uma pena para o ar, uma planta para a terra, uma vela vermelha ou enxofre para o fogo e água para representar a si mesma.

Camila diz que nasceu com o dom para a bruxaria, mas só recentemente encontrou as respostas para esse dom. Foi no ano passado, quando participou de um curso sobre wicca, a religião das bruxas. “Me identifiquei de imediato com a wicca. Quase tudo o que estava sendo ensinado no curso eu já sabia”, conta ela. A familiaridade com os ensinamentos da wicca foi tanta que Camila será a professora do segundo curso sobre esse assunto, no próximo dia 2 de junho (informações pelo telefone 3234-3977). O primeiro curso foi dado por uma professora de Rio Claro.

Quase tudo que Camila faz envolve um ritual, o que inclui coisas triviais como beber água e comer. Segundo explica Meire Correa Gomes, mestre de reiki (terapia natural) e coordenadora do curso de wicca, para que as coisas dêem certo é preciso canalizar energia positiva para aquilo que se está consumindo.

Os rituais são realizados de acordo com a fase em que a lua se encontra. A maioria, segundo Camila, é feita na lua cheia, por causa do poder que ela exerce sobre os seres vivos, sobre a água e sobre a terra. Os pedidos e feitiços, por exemplo, são feitos na lua cheia. Cada fase tem um poder específico.

O chá de ervas é o ritual mais comum, segundo Camila. Entre outras finalidades, ele serve para “limpar o caminho”. Ou seja, tornar a vida menos difícil. A erva é colocada no caldeirão, junto com um pó, que Camila não quis revelar qual é, e deixa ferver. Depois de pronto, é só beber. Detalhe: tem de ser na lua cheia.