08 de julho de 2026
Regional

Botucatu é referência em imunização especial

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – Poucas pessoas sabem, mas portadores de quadros clínicos especiais, como síndrome de Down, contam com esquema de vacinação especial. Isto por que estes indivíduos são mais suscetíveis às doenças ou risco de complicações. O que também pouca gente sabe é que no Brasil tais vacinas são ofertadas gratuitamente em apenas 38 Centros de Referência de Imunológicos Especiais (Crie) e um deles está em nossa região, mais especificamente em Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru).

O Crie de Botucatu é uma das seis unidades existentes no Estado de São Paulo. As demais estão em São Paulo (dois), Santo André, Ribeirão Preto e Campinas. De acordo com a médica Helena Sato, diretora da Divisão de Imunização da Secretaria do Estado da Saúde, está prevista a implantação de mais três unidades, em Marília, São José do Rio Preto e Taubaté, no segundo semestre deste ano.

A grande motivação para o planejamento e implementação dos Cries foi resultante do processo de grande melhora do acesso da população à vacinação, desenvolvimento da tecnologia em vacinologia e a implantação do acompanhamento das reações adversas pós-vacinais.

Com isso, começaram a ser identificadas pessoas que não se beneficiavam das vacinas por serem portadores de quadros clínicos especiais, decorrentes de motivos biológicos, convívio com pessoas imunodeprimidas, por intolerância aos imunobiológicos comuns e/ou por exposição inadvertida a agentes infecciosos.

A implantação dos Cries também decorreu da necessidade do Ministério da Saúde (MS) de atender aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), em conformidade com a Constituição Federal, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Inicialmente, em 1993, as unidades foram criadas nos Estados do Ceará, São Paulo, Paraná e Distrito Federal, estendendo-se depois para outras unidades da Federação.

Divulgação

Apesar da história do Cries ter se iniciado em 1993, a população em geral desconhece o serviço. Por causa disso, segundo a médica Helena Sato, o número de vacinas fornecidas pelos Cries no Estado de São Paulo, e em todo o País, foi bem abaixo do esperado, sobretudo por falta de divulgação deste serviço.

Além de seguir o calendário de imunização do Ministério da Saúde (veja quadro abaixo), os Cries também fornecem vacinas que não estão inclusas nele, para crianças com necessidades especiais, portadoras de HIV, síndrome de Down, prematuros, entre outras.

Entre as vacinas fornecidas estão as contra meningite, hepatite A e B, rotavírus, influenza, entre outras. Segundo Sato, cada necessidade especial possui uma indicação específica de vacinas, além das que estão no calendário básico. Ela destaca que essas vacinas são indicadas para todas as crianças, mas apenas nos casos especiais elas são distribuídas gratuitamente.

Além de fornecer vacinas fora do calendário, os Cries oferece imunoglobinas (anticorpos prontos) para serem aplicadas em crianças que não possuem defesa no organismo contra determinadas doenças. Entre as imunoglobinas disponíveis nos Cries estão as que combatem a hepatite B, raiva, varicela e tétano.

De acordo com Sato, em muitos casos, as pessoas não podem receber o soro que produz esses anticorpos, por isso é necessário que se aplique as imunoglobinas, permitindo a imunização.

____________________

Calendário

Cada exemplo de necessidade especial tem uma indicação de imunização determinado pelo manual dos Cries, elaborado pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). A médica Helena Sato, diretora da Divisão de Imunização da Secretaria do Estado da Saúde, cita como exemplo os portadores de síndrome de Down, que, além das vacinas básicas, devem ser protegidos contra influenza, varicela, hepatite A, meningite B e as pneumocócicas (7 valente até 5 anos e 23 valente após 5 anos de idade).

No caso de crianças cardiopatas ou pneumopatas, as indicações são semelhantes às dos portadores de Down, com exceção das vacinas contra influenza e varicela. Já as crianças com o vírus HIV possuem outras indicações.

Além das vacinas de rotina (calendário básico), as portadoras de HIV devem receber doses contra poliomelite Salk (injetável) ao invés da Sabin, que faz parte do calendário. Também são indicadas as pneumocócicas 7 valente e 23 valente, além da vacina contra rotavírus, influenza e meningite C.

____________________

Custo x benefício

O fornecimento gratuito de vacinas que não estão no calendário básico, mas são indicadas por pediatras, ainda divide opiniões de profissionais da saúde. Para a médica Helena Sato, diretora da Divisão de Imunização da Secretaria do Estado da Saúde, apesar de entender que o acesso deveria ser para todos, há um fator determinante para que algumas vacinas só sejam fornecidas pelo Estado em casos especiais: o número de crianças a serem imunizadas.

No Brasil, segundo ela, são mais de 16 milhões de crianças com menos de 5 anos que deveriam receber a imunização, sendo 3 milhões só no Estado de São Paulo. “Ao pensar em inclusão de novas vacinas no calendário básico, é preciso levar em conta esses números”, afirma a médica.

Tudo porque o fator custo x benefício é um dos principais empecilhos para que vacinas como antivaricela (catapora), só para citar um exemplo, não são incluídas. Para imunizar uma criança contra catapora em uma clínica particular, os pais não desembolsam menos de US$ 100,00, cerca de R$ 200,00, valor considerado alto para os padrões nacionais.

Por esse motivo, o governo criou, no ano passado, um grupo de análise para estudar a inclusão de novas vacinas no calendário básico. “A intenção é que o estudo revele se será possível incluir novas vacinas”, afirma Sato.