Um dos frutos da comunidade portuguesa em Bauru, a Beneficência Portuguesa acabou se tornando uma verdadeira referência na área de saúde para toda a região. Tamanha qualidade, porém, custou caro para ser atingida. Cinco anos atrás, a entidade chegou a operar no vermelho devido aos altos custos de manutenção do hospital.
“No começo, quando a sociedade foi criada, em 1914, o gerenciamento era mais simples de ser feito. Por isso podíamos viver apenas com as doações da comunidade. Com o tempo, porém, os custos para se levar adiante um empreendimento na área de saúde cresceram muito, tanto que já não éramos capazes de honrar com os nossos compromissos”, afirma o atual presidente da Associação Beneficente Portuguesa de Bauru, Amado Lima.
Ele admite que a situação era crítica e que o funcionamento do hospital estava prestes a ser comprometido. Foi quando um grupo de médicos resolveu se mobilizar para evitar que a Beneficência Portuguesa viesse à bancarrota. Com ajuda de mais cinco profissionais e apoio incondicional da diretoria da associação, Raul Gonçalves de Paula, Riandro Reksothardjo e João Batista Borsio Neto assumiram a gestão do hospital.
“Trabalho aqui desde 1972 e jamais poderia permitir que um serviço tão importante como esse deixasse de ser prestado à população de Bauru”, afirma. O chamado “choque de gestão”, conseguiu equilibrar as contas do hospital. “Ainda não estamos ‘no azul’, até porque as coisas oscilam muito por aqui de mês em mês. Por outro lado, já temos a certeza de que o futuro da Beneficência não será comprometido”, explica.
Além de colocar a casa em dia, os novos gestores conseguiram trazer algumas benfeitorias para a Beneficência, entre elas uma grande reforma na fachada do hospital, preservando todas as características originais do imóvel, que é tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Condepac).
Desde que a gestão do hospital passou para o controle dos médicos, a associação tem cuidado apenas da administração de alguns imóveis pertencentes à entidade - entre eles, o Hotel Estoril, na avenida Rodrigues Alves, o edifício Lusitana e o próprio prédio da Beneficência Portuguesa.