10 de julho de 2026
Saúde

Líquidos são responsáveis por até 20% das calorias diárias

Por Constança Tatsch | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Quem está de dieta precisa ficar de olho não só no que come, mas também no que bebe. Nos EUA, especialistas em nutrição elaboraram uma espécie de guia sobre bebidas, no qual declaram que 21% das calorias ingeridas por um americano por dia vem daquilo que ele bebe. Não há dados sobre o Brasil, mas especialistas acreditam que se esse percentual não for igual, estamos chegando lá.

Refrigerantes, sucos, bebidas alcoólicas e até o singelo cafezinho podem pesar na balança. “Isso é pouco falado. As pessoas acham que líquido não conta, esquecem de computar nas calorias. Pensam que só o sólido contribui para engordar’’, afirma Anita Sachs, chefe da disciplina de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo os especialistas, um dos erros mais comuns é pensar que o suco de laranja não engorda, quando um copo tem mais de 100 calorias. “As calorias podem chegar a um pãozinho. Existem vitaminas, mas quando feito da forma adequada e consumido em até meia hora após o preparo.’’

Comer a fruta é sempre uma opção melhor. Não há perda de vitaminas, dá sensação de saciedade e quando as fibras estão presentes, uma boa parte da frutose não é absorvida. Para fazer um copo de suco, usa-se mais do que uma laranja ou uma fatia de melancia.

“É muito melhor comer a fruta. O suco de laranja acaba com qualquer dieta, é quase uma refeição. É inviável perder peso sem pensar nesses detalhes do dia-a-dia’’, afirma José Marcondes, endocrinologista do hospital Sírio Libanês. Os sucos de polpa também perdem grande parte das vitaminas. Já os industrializados têm altíssimo valor calórico.

O leite é outro que traz benefícios para a saúde, com aporte de cálcio, proteína e vitaminas. Sua quantidade de gordura varia - o integral é mais gorduroso e calórico do que o desnatado. O risco está na adição de achocolatados, quando as calorias podem chegar a 300 calorias - ou uma fatia de bolo.

Refrigerantes

O consumo de refrigerante cresceu 400% nas últimas três décadas. Antes, a garrafa grande era de um litro. Agora é de 2,5 litros. Os menos calóricos são à base de limão, os mais calóricos são os de laranja (a adição do suco é exigida por lei) alcançando 190 calorias por lata.

Quem faz piada da pessoa que prefere um refrigerante light para acompanhar uma refeição calórica está errado, dizem os médicos. “Quando a pessoa toma o refrigerante comum ao invés do light, está ingerindo calorias desnecessárias’’, diz Marcondes.

Os refrigerantes light realmente não somam calorias à dieta, tampouco nutrientes, por isso não são recomendados. Alguns médicos garantem que os refrigerantes de cola, mesmo lights, dão celulite, por causa da cafeína.

A nova moda dos refrigerantes “zero’’, na opinião dos nutricionistas, não traz mudanças em relação ao light. “A composição é igual. O que muda apenas é a denominação, por uma questão de marketing. Parece que estudantes gostam mais de consumir zero do que light’’, explica Heloísa Guarita Padilha, diretora da consultoria RGNutri.

Comum no cardápio do brasileiro, o tradicional cafezinho em si tem pouquíssima caloria, mas se for com açúcar pode fazer certa diferença. Cada café adoçado tem cerca de 20 calorias. Se a pessoa, no escritório, toma cinco, são 100 calorias no final do dia.

Já o álcool é inimigo dos regimes: um grama de açúcar tem 4 kcal e um grama de álcool tem 7 kcal. “Bebida alcoólica é um problema. Quem tem ingestão diária de vinho ou uísque não consegue perder peso, com o agravante de que é muito difícil beber álcool sem comer alguma coisa. Cortando a bebida, ele já perde peso’’, diz Marcondes. Mesmo a cervejinha do fim de semana pode ser uma ameaça ao regime. “Tem que ter consciência, senão perde todo o esforço da semana.’’

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Diabetes

Mais séria do que a dieta para perder peso é a dieta de quem tem doenças como o diabetes. “Além da caloria há o índice glicêmico. Se o médico não informa o diabético, ele não sabe que o suco tem frutose, que descompensa o diabetes, por exemplo’’, afirma o endocrinologista do hospital Albert Einstein Ricardo Botticini Peres.

Na dieta desses pacientes, o álcool precisa ser cortado. Cortar ou consumir com moderação é uma opção, só não vale diminuir a ingestão de líquidos e desidratar. “As pessoas que estão perdendo peso, precisam consumir líquidos de baixo valor energético’’, afirma Anita Sachs, chefe da disciplina de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Entre as opções, estão limonada ou suco de maracujá com adoçante, chá natural sem açúcar e, claro, água com ou sem gás. A participação das bebidas no aporte de calorias dos brasileiros pode ser mais saudável do que a dos americanos, mas não é necessariamente menor.

“O brasileiro toma muito suco. Pensam que, como é natural, não é calórico. Somos um país tropical com mania de suco de fruta, água de coco, mate gelado. São líquidos calóricos’’, afirma Peres.

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Benefícios

Leite

É considerado um dos alimentos mais completos em termos nutricionais, pois, além de conter proteínas, cálcio e gordura, é rico em fósforo, magnésio, vitaminas B12, A e D.

Sucos

É uma forma de ingerir frutas e vegetais, tornando-se uma solução para incrementar o consumo de vitaminas e minerais antioxidantes

Água de coco

A água de coco é uma boa fonte de hidratação, contém pouca gordura, é rica em sódio, potássio e carboidrato.

Café

A cafeína tem propriedade diurética, além de excitar o sistema nervoso central e agir sobre os músculos. Em pequenas doses, ela diminui a fadiga, sendo prejudicial se for ingerida em excesso.

Refrigerantes

A composição química da bebida pode agravar prisão de ventre. Em dietas de emagrecimento e controle de triglicérides, os tipos light ou zero são as melhores opções.

Bebidas alcoólicas

A cerveja tem menor teor de álcool, cerca de 3% a 8%, comparando com a média de 12% dos vinhos e de 40% a 50% dos destilados. A ingestão freqüente e exagerada de cerveja pode levar ao excesso de peso.

Vinho

Alguns apontam benefícios do vinho na prevenção de doenças cardíacas e para aumentar a concentração do bom colesterol (HDL).

Fonte: Heloísa Guarita Padilha, diretora do RGNutri