08 de julho de 2026
Regional

Famílias enterram 5 vítimas de acidente

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - Paulo Marcos Rogério dos Santos, 32 anos, iniciaria hoje uma nova fase profissional, passando de tratorista para operador de colheitadeira, mas um terrível acidente de automóvel colocou fim à sua vida e de mais cinco pessoas. O veículo em que Santos, um irmão e três amigos estavam, retornava a Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) quando colidiu com uma carreta no contorno do acesso ao bairro Itatingui, na rodovia vicinal que vai para a Usina São José. Também morreu o motorista do caminhão, Márcio Roberto Ercolin, 31 anos, que era de Piracicaba para onde o corpo foi encaminhado.

Ontem, Pederneiras acompanhou os enterros das vítimas da cidade. O fato dos rapazes trabalharem juntos, serem amigos e quatro deles formarem duplas de irmãos, ampliou o clima de comoção. Todos foram velados num mesmo conjunto de salas de uma empresa funerária, próxima ao Cemitério Municipal de Pederneiras, local do sepultamento.

Primeiro foi enterrado o tratorista Vanderlei Aparecido Vitório, 27 anos. Na seqüência, os irmãos Paulo Marcos Rogério dos Santos, 31 anos, e Marcos Rogério dos Santos, 33 anos, motorista.

Em seguida, outros dois irmãos foram sepultados: o auxiliar de serviços gerais Antonio Pereira da Silva Neto, 27 anos, e Edmilson Pereira da Silva, 25 anos, que também trabalhava na função. Antônio e Edmilson eram do município de Pio IX, no Piauí.

Tragédia

O acidente que matou seis homens ocorreu por volta das 18h35, num trevo que liga o bairro de Itatingui à zona urbana de Pederneiras. A estrada é cortada pela vicinal João Saad, que interliga a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) à Usina São José. Os cinco rapazes de Pederneiras retornavam de uma confraternização no feriado, com churrasco e futebol, em uma propriedade de Itatingui.

Os irmãos Paulo e Marcos, Antonio e Edmilson, junto com Vanderlei, viajavam no Corsa, placas CPE 1576, de Pederneiras, de propriedade de Paulo.

O caminhão-tanque Scania, placas AAB-2397, de Piracicaba, seguia em direção à usina e colidiu com a lateral do Corsa, no momento em que o carro de passeio cruzava a vicinal da SP-225, sentido Pederneiras. O Corsa com cinco passageiros foi arrastado por aproximadamente 80 metros, com o caminhão cruzando sua pista em sentido contrário, passando por cima do carro, em uma pequena plantação de mamona à beira da pista.

A carreta Scania prosseguiu por cerca de 120 metros pelo mato, cruzou a pista da vicinal, na altura de uma ponte e parou no mato depois do acostamento. No Boletim de Ocorrência (BO) registrado e nos relatos colhidos ontem pelo JC no local, o motorista do caminhão-tanque pode ter pulado da cabine, ou foi arremessado, devido aos seguidos solavancos, inclusive no momento em que o caminhão passou sobre o veículo.

Todas as seis vítimas morreram no local e os corpos estavam dilacerados. Equipes do Corpo de Bombeiros (BO) e a Polícia Técnica estiveram no local.

Ontem, o cruzamento das duas estradas foi intensamente visitado por curiosos que tentavam entender como ocorreu o acidente. O caminhão-tanque, que não estava carregado, prestava serviço para uma empresa da cidade e seguia para abastecer em um posto logo a frente do lugar do acidente.

No trecho onde ocorreu a colisão, a rodovia João Saad possui aclive acentuado. O trevo é bem sinalizado. Exatamente no horário do acidente, a pista fica à meia-luz, o que pode dificultar a visão de sinal de luz. Motoristas que circulam nas vicinais apontam esse problema como um dos possíveis motivos que para a colisão. “É um trecho horrível nesse horário”, explica o tratorista Benedito João Bento, 52 anos, tio de Vanderlei.

As causas do acidente estão sendo investigadas e o delegado titular de Pederneiras, Márcio José Alves esteve, anteontem, no local para obter informações de possíveis testemunhas e solicitou exame de dosagem alcoólica das vítimas.

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Amigos inseparáveis

Os familiares da dupla de irmãos Marcos e Paulo Marcos Rogério dos Santos, e Antonio e Edmilson Pereira da Silva, e de Vanderlei Aparecido Vitório, mortos em acidente anteontem, trataram de frisar o fato de que todos eram amigos. Em seus relatos ao JC ontem, alguns parentes disseram que a amizade era tão significativa que morreram juntos e foram sepultados em túmulos próximos uns dos outros no Cemitério Muncipal de Pederneiras. Sebastiana Ramos Bento, avó de Vanderlei, estava muito emocionada e não se conteve. “Era como se fosse um filho”, lamentou. O lavrador José Vitório Aparecido, 55 anos, pai de Vanderlei, definiu que o filho era “de ouro”. “Foi como se tirasse algo de dentro de mim”, disse Neide Aparecido Bento Vitório, mãe de Vanderlei. Ele era pai de uma menina de 1 ano e casado com Silmara. Carlos Marcos Rogério dos Santos, irmão mais velho das vítimas Paulo e Marcos, demonstrava estar completamente apático pela perda. “Eram gente muito boa porque eram irmãos que todo mundo queria ter”, frisou. Paulo era pai de dois meninos e Marcos tinha duas meninas e um menino. Apesar de não serem nascidos em Pederneiras, os irmãos Antonio e Edmilson Pereira da Silva foram sepultados na cidade com a presença de familiares, parentes das outras vítimas e amigos.