Paris - O candidato governista Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais na França, marcado para 6 de maio. Com 92,17% dos votos apurados, Sarkozy tinha 31%, seguido de Royal, com 25,63%. Em terceiro, aparecia François Bayrou (centro-liberal), com 18,54%.
O ultradireitista Jean-Marie Le Pen tinha 10,64% e Olivier Besancenot , de extrema esquerda, 4,16%. Os demais candidatos não chegavam a 3% cada. Três candidatas de esquerda já pedem votos para Royal no segundo turno: Arlette Laguiller, da Luta Operária, a comunista Marie-George Buffet, e Dominique Voynet, do Partido Verde.
Logo ao final da tarde de ontem, quatro institutos de pesquisa já afirmavam que Sarkozy ficou à frente de Royal e que ambos concorreriam no segundo turno, eliminando assim a dúvida a respeito do segundo lugar, disputado nas últimas semanas entre a candidata socialista e o centrista François Bayrou.
As projeções eram baseadas em contagens de voto reais de amostras representativas de centenas de locais de votação em todo o país. Os resultados oficiais da eleição, que atraiu números surpreendentes de franceses às urnas, só foram divulgados na noite de ontem, já que em alguns locais da França, como Paris e sua periferia, Marselha, Toulouse e Lyon, a votação só terminaria às 20h.
Após prever uma participação recorde de 87% dos eleitores registrados na votação, os institutos de pesquisa voltaram atrás e divulgaram números de comparecimento que oscilam entre 82,7% e 84,5%.
Com esse número, há no máximo um empate com o recorde histórico de comparecimento em eleições na França, detido pelo ano de 1965, com cerca de 84% de comparecimento dos eleitores registrados. O voto na França não é obrigatório. De qualquer maneira, essa votação torna-se a maior desde 1965, um recorde nos últimos 40 anos.
Sarkozy, 52 anos, ex-ministro do Interior de posições firmes, esteve à frente da socialista Ségolène Royal e de outros dez candidatos nas pesquisas de opinião durante toda a campanha, que se encerrou na última sexta-feira.
A campanha foi dominada pela defesa de uma mudança no cenário político francês após 12 anos da liderança conservadora do presidente Jacques Chirac, que deixa um dos países mais ricos do mundo em meio a lutas por reforma econômica, geração de empregos e integração social.
Entre as principais questões que envolvem a corrida presidencial estão o desemprego, a imigração e a aspiração da França em se tornar a principal economia da Europa - posição disputada com a Alemanha e o Reino Unido -, que levou os franceses a votarem contra uma maior integração entre os países da União Européia (UE) em referendo realizado em 2005.
A imigração, uma das principais dificuldades enfrentadas pela França, levou a uma onda de violência nos subúrbios que durou três semanas em 2005. Nos violentos distúrbios, imigrantes árabes e negros protestavam contra a discriminação e a opressão social que sofrem no país.
O desemprego é outro problema grave, já que países como a Índia e a China, e outros com economias mais dinâmicas que a francesa, absorveram as ofertas de trabalho, principalmente no setor industrial.
A sociedade francesa, que tem caráter conservador, teme que seu amplo programa de seguridade social, que representa um alto custo para o governo, tenha que ser sacrificado para tornar a economia do país mais competitiva.
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Voto eletrônico
Paris - Polêmico desde o início, o voto através de urnas eletrônicas, utilizado ontem pela primeira vez na eleição presidencial do país, provocou problemas em vários colégios eleitorais, além de protestos e denúncias.
A principal disfunção ocorreu em Reims, no noroeste da França, onde um problema elétrico atrasou a abertura de alguns dos colégios equipados com as máquinas. No total, 1,5 milhão dos 44,5 milhões de eleitores registrados no país deveriam usar a urna eletrônica.
As urnas foram implantadas em 82 municípios com mais de 3.500 habitantes. Em vários deles, os problemas foram causados pelos protestos da população, que desconfia das máquinas.
O conselheiro regional de Ile-de-France, Daniel Guérin, do Movimento Republicano Cidadão (MRC), anunciou que pediu ao Conselho Constitucional que investigue supostas disfunções nas vistorias feitas nas urnas eletrônicas de Villeneuve-le-Roi, perto de Paris. Em Issy-les-Moulineaux, outra cidade da periferia parisiense, uma pequena manifestação de eleitores contra o sistema eletrônico foi realizada para protestar contra atrasos e problemas.