Com os indicadores do mercado financeiro exercendo maior influência sobre o rendimento da caderneta de poupança, esta alternativa deixou de ser viável para grandes investidores. Mas apesar de seu desempenho estar apresentando baixos resultados, a modalidade ganhou projeção no mercado principalmente frente aos fundos de investimento, que também perderam poder de rendimento. A constatação é comum entre especialistas do mercado financeiro, que indicam a poupança para aplicações de até R$ 10 mil a investidores que temem riscos.
Com as recentes quedas nas taxas de juros - inclusive da Selic, que baixou 6,75 pontos percentuais desde setembro de 2005 - a poupança, conseqüentemente, rendeu menos. Isso tem ocorrido porque a Taxa Referencial (TR) do fundo passou a ser calculada com base na variação do mercado econômico.
Para o momento atual, o economista e professor Mauro Gallo avalia a caderneta de poupança como apropriada para poupar valores baixos. “A tendência da caderneta é ser usada para investimentos de até R$ 10 mil por quem precisa do dinheiro a curto prazo”, explica.
A avaliação é compartilhada pelo consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira, que orienta a adesão à caderneta de poupança para quem prefere evitar riscos. “Para quem teme perdas, a poupança é o melhor investimento. Sua vantagem é que, pelo menos, ela mantém o valor aplicado corrigido”, destaca.
Na opinião do economista Wagner Ismanhoto, a poupança é a única oportunidade que o pequeno investidor tem. “É uma questão de falta de opção para o pequeno poupador. Mas embora a rentabilidade seja de cerca de 0,7% (ao mês), por outro lado a liquidez é imediata e o risco é relativamente pequeno”, comenta.
O volume de investimentos em cadernetas de poupança é expressivo em todo o País e vem crescendo ao longo dos anos.
R$ 200,00 por mês
Em Bauru, o consultor de moda Bruno Furlanetto faz parte desse grupo de poupadores. Todos os meses ele deposita R$ 200,00 em sua caderneta de poupança com o objetivo de juntar dinheiro para comprar um carro.
“Sei que o rendimento é inexpressivo, porém, é uma forma de eu não gastar esse dinheiro. Além disso, também acho uma aplicação segura do ponto de vista de mercado financeiro”, justifica.
De acordo com Ismanhoto, antes de abrir uma caderneta de poupança no banco, o investidor deve analisar os custos que a instituição financeira cobrará pelo serviço.
Ele ressalta que alguns bancos adotam políticas de isenção de taxas e impostos. Além disso, o poupador tem de levar em consideração o rendimento do valor, acrescenta Ismanhoto.
“Se minha aplicação tiver rendimento de 10% ao mês mas eu tiver de deixar 9,5% para cobrir taxas e impostos, o ganho será zero. Por isso, é importante tomar cuidado com esses custos”, orienta.
Ismanhoto diz ainda que o investidor também deve ficar muito atento ao contrato para não se surpreender com impostos e cobranças mais tarde.
Para investidores com maior poder aquisitivo, o economista Mauro Gallo sugere fundos multimercado, cujo rendimento é baseado nos índices de renda fixa e variável.
“O investidor terá de se acostumar a conviver um pouco mais com os riscos e partir para a renda variável. Apesar disso, ela oferece um rendimento melhor”, acrescenta.
____________________
Pulverização
Poupar dinheiro em uma única fonte de investimento é uma medida que deve ser evitada, segundo o economista Wagner Ismanhoto. É sempre prudente, conforme ele, não apostar todas as fichas num único tipo de aplicação.
“Recomenda-se direcionar, no máximo, 30% do dinheiro que se tem disponível para um único investimento”, destaca.
O economista sugere aos grandes investidores pulverizar o valor entre carteiras de aplicação, Bolsa de Valores, clubes de investimentos. No entanto, ele chama a atenção para a necessidade do poupador acompanhar de perto a aplicação para evitar eventuais perdas.