Brasília - Os 21 acusados de participar da máfia dos jogos ilegais presos na superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, devem ser transferidos para o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS). A transferência vai ocorrer depois dos depoimentos de quinta-feira, no Rio.
A reportagem apurou que os presos foram intimados ontem e devem ser transferidos para o Rio na quarta-feira. Os depoimentos serão prestados na 6.ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio, de onde partiu a investigação da PF que resultou na Operação Hurricane (furacão).
Após os depoimentos, que podem durar mais de um dia, eles serão transferidos para Campo Grande. Entre os presos estão advogados, contraventores e empresários acusados de comprar sentenças para garantir o funcionamento dos bingos. A PF também prendeu três magistrados e um procurador da República, mas eles foram liberados pelo ministro Cezar Peluso, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Penitenciária
Segundo o Ministério da Justiça, a Penitenciária Federal de Campo Grande é a segunda unidade a fazer parte do Sistema Penitenciário Federal. Inaugurada em 21 de dezembro de 2006, a unidade tem capacidade para abrigar 208 detentos em celas individuais. As unidades federais contam com infra-estrutura e equipamentos de última geração para impedir qualquer possibilidade de rebeliões e fugas.
Vazamento
A Câmara dos Deputados não deve solicitar à Polícia Federal cópia do inquérito da Operação Hurricane que investiga a venda de sentenças para favorecer a máfia de jogos. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ontem que não quer se responsabilizar pelo vazamento de informações caso dados sigilosos das investigações se tornem públicos. “A minha preocupação é que se vem para a Câmara e se por algum motivo vaza uma informação que não poderia vazar, eu não quero repartir essa responsabilidade. O que prevalece até este momento é que a gente deve aguardar as investigações com serenidade e tomar as medidas que se couberem”, afirmou.
Na semana passada, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentou requerimento a Chinaglia para que a Câmara tivesse acesso aos documentos da PF. Miro argumenta que, como há indícios do envolvimento de parlamentares com o financiamento de campanhas eleitorais pelo jogo do bicho, a Câmara tem que acompanhar as investigações do Poder Judiciário.
Segundo Chinaglia, a Câmara não deve entrar nas investigações neste momento diante da prerrogativa da PF em cuidar do caso. “A investigação está sendo feita pela PF. Cabe às instituições zelarem por aquilo que significa segredo de Justiça ou de investigação. Portanto, nós vamos tomar todas as medidas no âmbito da Câmara a partir daquilo que formos notificados ou informados.”