10 de julho de 2026
Bairros

Família de acidentado sofre até para conseguir cama e fraldas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A última vez que Fabiana Marques, 29 anos, conversou com o seu marido, o caminhoneiro Cristiano Marques, 28 anos, foi no dia 31 de janeiro passado. Naquele dia, ele sofreu um grave acidente em Ourinhos, que lhe causou uma hipóxia cerebral - falta de oxigenação no cérebro. Ontem, depois de três meses hospitalizado, ele voltou para sua casa alugada, no Núcleo Octávio Rasi, em Bauru. Respirando graças a traqueostomia, se alimentando através de sonda, os médicos avaliam que são pequenas as chances de Marques sair do seu estado. A família, no entanto, mantém a fé e a esperança de vê-lo se restabelecer.

Mas mesmo o sonho da cura, esbarra nas necessidades imediatas. Marques precisa de uma cama mais confortável, de remédios, fraldas e até suplementos alimentares, que a família – que até agora custeou mais de R$ 20 mil para o tratamento do caminhoneiro, inclusive vendendo uma propriedade – não tem condições de comprar.

O drama começou quando o caminhoneiro e seu cunhado foram até Ourinhos para fazer uma entrega em um supermercado, onde aconteceu o acidente. Fabiana ainda não sabe ao certo o que ocorreu com o marido. “Tinha uma carreta quebrada no estacionamento do supermercado. Aparentemente, Cristiano foi ver um problema que o caminhão tinha quando o veículo começou a se movimentar e prensou o meu marido na carreta”, conta.

O caminhoneiro, que tem duas filhas, foi socorrido até uma unidade de saúde da cidade para o atendimento de urgência. Pouco depois, foi transferido para outro hospital, no mesmo município.

Depois de quase dois meses, a família conseguiu a transferência para o Hospital Estadual de Bauru. Quando chegou, Marques sofria com uma gravíssima infecção hospitalar, que contraiu ainda em Ourinhos. Depois de mais de um mês de reabilitação, o organismo do caminhoneiro conseguiu se recuperar da infecção. Porém, os médicos informaram à família que não havia esperanças quanto ao seu estado neurológico.

Ontem, quando finalmente chegou em sua casa, Marques, que tem mais de 1,90 metro de altura, mal cabia na cama que a família conseguiu junto à Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva). Ao ver o pai depois de tantas semanas, a filha mais velha do caminhoneiro, Yamilly, de 3 anos, queria saber porque ele estava com tantos tubos e aparelhos. “Disse a ela que o papai estava com preguiça de respirar sozinho, então ele usava aquele respirador”, diz Fabiana.

Apesar dos médicos terem apontado que Marques sofreu um dano cerebral irreversível, a esposa e sua mãe mantêm a esperança de que o caminhoneiro voltará a conviver com a família. Ontem à tarde, ele permanecia deitado, mas estava acordado e se movimentando. Segundo Fabiana, o marido responde a dor e a outros estímulos. “Ele nos olha, mexe os pés, as mãos, dorme, acorda e até ronca. Como alguém em estado vegetativo poderia fazer isso tudo?”, argumenta.

• Serviço

Para auxiliar a família de Marques, o telefone de contato é o (14) 3281-8533.

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O que é

A hipóxia cerebral ocorre quando há diminuição no suprimento de oxigênio ao cérebro, apesar do fluxo adequado de sangue. Pode ser causada por afogamento, estrangulamento, parada cardíaca, traumatismo craniano, envenenamento por monóxido de carbono e complicações anestésicas, entre outras.

Fonte: http://pt.wikipedia.org