10 de julho de 2026
Nacional

Corregedoria investiga procuradores

Por Andreza Matais | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A Corregedoria Geral da Advocacia Geral da União (AGU) instaurou procedimento para investigar as denúncias que atingem dois procuradores da Fazenda Nacional que teriam envolvimento com a máfia dos jogos. Sérgio Gomes Ayala, de São Paulo, e César Palmieri, do Rio de Janeiro, podem perder o cargo se ficar comprovado que atuaram para favorecer donos de casa de bingos.

A suposta participação de Ayala com o esquema foi descoberta pela Operação Têmis (nome da deusa grega da Justiça) da Polícia Federal, que desarticulou uma quadrilha especializada na compra de sentenças judiciais para facilitar a obtenção de créditos tributários e o funcionamento de bingos. Já Palmieri teve o nome citado por presos pela Operação Hurricane (furacão, em inglês), que investiga uma máfia que atuava na compra de sentenças para o funcionamento de jogos ilegais - bingos, caça-níqueis, videobingos, videopôquer, entre outros.

Segundo o Corregedor-geral da AGU, Aldemario Castro, os dois poderão continuar atuando normalmente até a conclusão do processo. Mas há a possibilidade de serem afastados por até 120 dias caso tentem ocultar provas ou constranger testemunhas. Neste caso, os salários são preservados.

A suspeita é que os procuradores tenham deixado de apresentar recurso contra liminares que mantinham os bingos abertos em São Paulo em troca de propina. Se ficar comprovado que atuaram dessa forma podem sofrer advertência, suspensão por 90 dias e demissão. “Estamos na fase de averiguação dos fatos para ver se há irregularidades”, disse o corregedor.

O primeiro procedimento foi aberto na última sexta e tem como alvo o procurador Sérgio Ayala. Somente ontem a corregedoria decidiu também investigar Palmieri. Para ajudar nas investigações, a Corregedoria solicitou à Polícia Federal cópia dos inquéritos das duas operações -Têmis e Furacão.

Pente-fino

A Corregedoria decidiu ainda antecipar uma correição ordinária que ocorreria na AGU de São Paulo no segundo semestre deste ano para julho. O procedimento passará um pente-fino em todas as ações dos procuradores da Fazenda Nacional de São Paulo, especialmente nas relacionadas aos bingos.

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Órgão pede denúncia pela Internet

Brasília - A Advocacia Geral da União (AGU) fez ontem um apelo para que a população denuncie casas de bingos que continuam funcionando ilegalmente em todo o País. A AGU avalia que 1.550 empreendimentos desse tipo ainda estejam funcionando apoiados em liminares concedidas pela Justiça. Uma das funções da AGU é recorrer para tentar derrubar essas liminares.

Para receber as denúncias, a AGU criou o link Canal Cidadão na sua página na internet. A AGU também vai disponibilizar um número de telefone para que as denúncias sejam feitas. Além de informações sobre casas de bingos, o serviço também receberá denúncias como invasão de imóveis ou terras públicas, obstrução de rodovias, corrupção, desvio de verbas públicas e agressão ao meio ambiente.

O procurador-geral da União, Luiz Henrique Martins dos Anjos, disse que as pessoas que jogam bingo não estão incorrendo em atividade criminosa, mas alertou que elas contribuem para a ilegalidade.

Três ações desencadeadas ontem pelas polícias Federal e Militar e Prefeitura de São Paulo resultaram no fechamento de casas de bingo e de exploração de máquinas caça-níqueis em Goiás, Minas e São Paulo, respectivamente.