09 de julho de 2026
Polícia

Vítima reage a assaltantes com pistola de brinquedo

Luiz Galano e Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Um rapaz de 25 anos foi abordado por dois ladrões na noite de anteontem em Bauru. Enquanto era mantido refém, percebeu que a arma usada pelo ladrão para ameaçá-lo era de plástico. Ele resolveu reagir e entrou em luta corporal com os marginais, mas foi ferido com canivete nos braços e barriga. Foi parar no hospital, mas ontem à noite já estava em sua casa, no Parque Santa Edwirges..

O rapaz, que pediu para não ser identificado por medo de represália, conta que percebeu a atitude suspeita de dois homens que estavam em uma moto quando saiu da sua casa para ir a uma lan house. “Vi quando dois homens ficaram obervando e seguiram meu carro”, diz. Ele só não imaginava que seria surpreendido pelos bandidos. Ele trafegava próximo ao estádio Alfredo de Castilho, quando parou num semáforo – na confluência das ruas Nilo Peçanha com Bernardino de Campos – e foi abordado por dois homens, um deles armado, numa moto preta.

Um dos assaltantes anunciou o roubo, entrou no carro do rapaz e determinou que ele seguisse ao volante, em direção à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, SP-294 (Bauru-Marília). O outro ladrão os acompanhou de moto. No trevo da rodovia, o marginal obrigou a vítima a ingerir comprimidos, cuja substância é desconhecida.

O rapaz foi obrigado a dirigir rumo a Marília. “Ele jogou cerca de 15 comprimidos de cor rosa e vermelha dentro da minha boca. Depois, me fez beber água. Consegui cuspir metade deles, mas engoli outros”, relata.

Após cerca de cinco minutos, ele sentiu sonolência, mas continuou dirigindo. Quando trafegavam pela rodovia, próximo à entrada da cidade de Duartina, o rapaz viu um automóvel Escort parado no acostamento. O motorista deu sinal de luz. “É possível que ele também esteja envolvido no roubo”, presume.

Depois de passarem pelo automóvel, o telefone celular do ladrão tocou. Ele atendeu a ligação e, como o aparelho se iluminou, a vítima percebeu que a pistola do assaltante na verdade era de um brinquedo.

Cerca de 5 quilômetros depois, o ladrão exigiu que a vítima seguisse numa estrada vicinal rumo à cidade de Avaí. “O ladrão disse para eu parar o carro que eles iam me amarrar e me deixar no mato”, conta.

Ele então parou o carro no acostamento e entrou em luta corporal com o marginal, ainda dentro do carro. Durante a briga, a vítima levou golpes de canivete nos braços e na barriga. Já fora do veículo, ele chegou a derrubar o ladrão. No entanto, o comparsa da moto alcançou os dois e parou para prestar socorro ao companheiro, desferindo capacetadas na cabeça e chutes nas costas do rapaz. Os ladrões fugiram em seguida, levando apenas R$ 50,00 da vítima.

Segundo a Polícia Civil, o rapaz ficou ferido, principalmente na cabeça. Ele foi internado no hospital de Duartina, onde ficou em observação até as 11h30 de ontem. Até o fechamento da edição, os assaltantes não haviam sido capturados.

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Equilíbrio

Mesmo diante da situação estressante de um assalto a vítima conseguiu ser calculista. “Desconfiei que a arma era de brinquedo quando o ladrão bateu algumas vezes na minha cabeça. Pelo barulho que fez, percebi que não era uma arma, mas ainda não tinha certeza. Só mesmo quando vi a luz do celular que pude comprovar”, conta.

Quando questionado se não teria se arrependido de reagir ao assalto, o rapaz negou. “O carro é tudo que tenho. Não me arrependi de jeito nenhum”, diz. Reagir a um roubo ou seqüestro não é o indicado pelos policiais.