09 de julho de 2026
Polícia

Ex-vereador e mais 3 são presos acusados de praticar estelionato

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-vereador de Bauru Nivaldo Tarcísio Cardia, 66 anos, foi preso ontem pela Polícia Militar (PM) por suspeita de estelionato. Como ele, o empresário Richard Frederico dos Santos, 26 anos, o motorista Acib Andem, 66 anos, e o autônomo Arnaldo Rodrigues Júnior, 25 anos, também são acusados de comercializar cheques clonados (falsificados) na cidade. Eles são acusados de estelionato, formação de bando e quadrilha e foram recolhidos à cadeia de Avaí.

Através de denúncia anônima, a polícia encontrou no escritório onde o grupo trabalhava, no Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro, 30 folhas de cheque em branco e 18 preenchidas em diversos valores, de diferentes bancos; várias cédulas de identidade; 182 pedras brutas esverdeadas, semelhantes a esmeraldas; dois anéis, que supostamente seriam de brilhante; além de uma pulseira, dois brincos, dois pingentes e uma corrente dourados.

Os policiais também acharam dois relógios de pulso, um gravador portátil, uma máquina copiadora e uma elétrica de escrever, um minicomputador e um notebook. A polícia ainda não sabe se os cheques eram clonados no escritório, apesar de uma máquina copiadora ter sido encontrada no local, assim como ainda não foi apurado há quanto tempo o grupo agia e o prejuízo ocasionado.

“Uma denúncia anônima nos comunicou que uma pessoa tentou passar um cheque, cuja procedência era suspeita. O denunciante nos deu as características do indivíduo, o que nos ajudou a abordar o acusado (Arnaldo Rodrigues) com uma folha de cheque do banco Real clonada, no valor de R$ 700,00”, explica o tenente Bruno Mandaliti Scarp, comandante da Base Centro da PM, que coordenou a operação.

Comercialização

Segundo ele, o rapaz, que foi detido na rua Rio Branco, confessou que havia comprado a folha de cheque do motorista Acib Andem, pelo valor de R$ 50,00. Horas mais tarde, a polícia deteve o motorista no Centro de Bauru com duas folhas de cheque, sendo uma preenchida no valor de R$ 700,00 e outra em R$ 1 mil.

“Essa segunda pessoa detida nos informou sobre esse escritório, na Batista de Carvalho. Chegando no local, encontramos o sr. Nivaldo Cardia e mais um rapaz (Richard dos Santos, dono do imóvel). Quando o ex-vereador levantou da cadeira, encontramos, embaixo da almofada onde ele estava sentado, vários cheques em branco”, acrescenta o tenente.

Ainda conforme Scarp, Cardia já tem antecedentes criminais por estelionato, assim como outros dois dos presos. O acusado, no entanto, nega envolvimento no caso e se diz vítima de uma armação. Os outros três acusados não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

Todos foram encaminhados ao 3.º Distrito Policial de Bauru, que já investigava Cardia pela prática de venda de cheques clonados. Eles prestaram depoimento e foram conduzidos à Cadeia Pública de Avaí.

De acordo com Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o grupo foi indiciado por praticar de estelionato e formação de bando e quadrilha. Entretanto, ele adianta que, apesar dos indícios, ainda não há como afirmar que os quatro cometeram estelionato.

“Tudo leva a crer, principalmente pelo material que foi encontrado. Porém, vamos apurar melhor o fato. O trabalho continua, pois precisamos de laudos periciais e outras providências”, completa. Já as pedras, que seriam esmeraldas, teriam sido dadas ao grupo em garantia de uma ação judicial.

O aposentado Nivaldo Tarcísio Cardia, 66 anos, atuou como vereador da Câmara Municipal de Bauru entre 1973 e 1976 pelo MDB, na legislatura do então prefeito Edmundo Coube. Em 1974 disputou eleição para deputado federal e em 76 tentou o cargo majoritário em Bauru. Em nenhuma das tentativas conseguiu êxito.