09 de julho de 2026
Articulistas

Reação em cadeia


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A chamada era atômica tornou notório um termo em reações químicas, quando em 1939 Fermi declarou que poderia obter uma reação em cadeia, isto é, que os nêutrons resultantes da desintegração do urânio poderiam incidir em outros átomos de urânio vizinhos, provocando novas desintegrações e assim sucessivamente. Na biologia molecular, existe a Reação em Cadeia da Polimerase, uma amplificação enzimática de uma seqüência específica de DNA, visando a produção de milhões de cópias desta seqüência, primeiramente descrita por Kary Mullis, no final dos anos 80.

Mas será que a tal Reação em Cadeia só ocorre em laboratórios ou em experiências físico-químicas?! Ao que tudo indica, a sociedade vive em constante reação em cadeia. Recentemente, dois filmes abordaram a temática, “Crash - No Limite” e “Babel”, demonstrando como as ações de um vão originar respostas em pessoas desconhecidas e distantes, sem a nossa real percepção disso. Mas será apenas uma ilusão dos roteiristas de Hollywood ou podemos realmente observar este “fenômeno social”? Vamos imaginar algumas situações e você, caro leitor, tire suas próprias conclusões...

Em Bauru, recentemente foi deflagrada uma greve dos coletores de lixo (provavelmente finalizada na publicação deste artigo), exigindo aumento salarial e também a proposta de contratação de funcionários, conforme noticiado nos meios de comunicação. Pois bem! A partir do momento em que se tem a não coleta do lixo urbano, podemos notar problemas: lixo espalhado pelas ruas (tanto pela ação de animais quanto homens), lixos jogados em terrenos, lixo sendo conduzido a bueiros e ocasionando inundações, sem falar em proliferação de doenças (se formos mais além). As conseqüências?! Ruas sujas, caracterizando mais ainda o estado de abandono em que Bauru se encontra! Mais trabalho para funcionários e donas-de-casa, na limpeza de suas calçadas! Multas para donos de terreno, que são proprietários e certamente não jogam lixo em seus terrenos (lixo que também não chega sozinho lá)! Aumento de gastos públicos com tratamentos e atendimentos em saúde decorrentes de tal situação! É, caro leitor, como já disse em artigo publicado neste Jornal (“Se conselho fosse bom”), mais uma vez é a população quem arca com as conseqüências ou, no melhor chavão, “quem paga o pato”.

Até quando cidadãos honestos terão que pagar com os atos de terceiros? Até quando trabalhadores que pagam seus impostos (entre as mais altas taxas mundiais) continuarão a ser prejudicados e contar com serviços fundamentais de baixa qualidade? Acho que está na hora de lembrar aos “indignados” que eles são livres para procurar outros postos de trabalho (se forem capazes disso) e lembrar que é do nosso suor que vem o salário deles! Pense nisso!

O autor, Ricardo Henrique Alves da Silva, é cirurgião-dentista, professor universitário e consultor em saúde - e-mail: ricardohenrique@usp.br