Rio - No segundo dia da tomada de depoimentos dos acusados de envolvimento com a organização criminosa que atuava na compra de sentenças judiciais para favorecer a máfia do jogo, os suspeitos adotaram estratégias diferentes frente à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6.ª Vara Federal Criminal do Rio. Júlio Guimarães, sobrinho do bicheiro Ailton Guimarães, o Capitão Guimarães, não respondeu a nenhuma pergunta, exceto seu nome, do advogado e endereço.
Para toda pergunta da juíza, ele respondia apenas essas três coisas: nome, nome do advogado e endereço. O seu advogado, Nélio Machado, disse que a estratégia faz parte da defesa, já que os dois ainda não conversaram a sós. Machado disse ainda que Júlio explicará oportunamente a origem do dinheiro apreendido no fundo falso de uma parede na sua casa. Durante a Operação Hurricane, que prendeu 25 pessoas no dia 13, a Polícia Federal (PF) encontrou R$ 5 milhões em espécie e R$ 4 milhões (em cheque) com Júlio.
Estratégia
“A questão do dinheiro será explicada adequadamente. Mas hoje, por questão de estratégia da defesa, que é um direito que a Constituição concede... A defesa dará a explicação no momento certo, na hora oportuna, de acordo com o conhecimento prévio do processo como um todo”, afirmou Machado. Já o presidente da Associação dos Administradores de Bingos e Similares do Estado do Rio (Aberj), Paulo Lino, que também depôs ontem, negou qualquer relação com a máfia dos jogos. Ele afirmou desconhecer qualquer esquema de venda de sentenças judiciais, segundo seu advogado, David Zangirolami.
A juíza também ouviu ontem José Renato Granado Ferreira, vice-presidente da Aberj e dono da maior parte das casas de bingo do Rio ao lado de Capitão Guimarães, Antônio Petrus Kalil, o Turcão e Aniz Abrahão David, o Anísio.