Ainda preocupados com o possível despejo de quatro famílias, os moradores do Jardim Nicéia se reuniram na manhã de ontem para discutir que rumos tomarão suas discussões após a decisão do juiz Mauro Ruiz Daró, que suspendeu uma liminar de reintegração de posse. Em meio a discursos de representantes de entidades, muitas pessoas demonstraram apreensão e falta de conhecimento efetivo dos fatos.
Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da associação de moradores discursaram aos moradores, que questionavam quais atitudes poderiam tomar para evitar que o processo de desapropriação continue tramitando. “A gente quer saber o que precisamos fazer para lutar por aquilo que acreditamos ser nosso, juntos”, diz Gislaine Cássia Ferreira da Silva, que mora há 12 anos no bairro e afirma ter pago pelo terreno onde construiu sua casa. “Tenho até mesmo documentos assinados em cartório comprovando a negociação”, alega.
Agnaldo Anastácio da Silva, o Lulinha, representante da CUT, defende uma solução pacífica para o impasse, caso o processo indique pela desapropriação. “Tinha que ser feita uma discussão com os moradores, para que haja um consenso”, acredita.
Ele afirma que entrará em contato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e acompanhará a sessão da Câmara na próxima segunda-feira. “Essa é uma área rural e a pessoa que se diz proprietária deve mais de R$ 1 milhão ao Incra. Além disso cobraremos soluções aos vereadores”, revela.