08 de julho de 2026
Regional

Seqüestro termina em morte em Marília

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - A cidade de Marília (100 quilômetros de Bauru) voltou aos noticiários policiais ontem com um seqüestro seguido de morte, possivelmente promovido por integrantes de uma organização criminosa e motivado pela apreensão de sete quilos de cocaína, na região de Bauru, há mais de um mês. A polícia prendeu cinco pessoas que seriam as responsáveis pelo crime. A vítima é Ednelson José Rodrigues da Silva, 29 anos.

O seqüestro aconteceu no início da tarde de quinta-feira no bairro João Batista Tóffale, Zona Sul da cidade, quando o Tempra, placas CGH 5412 de Marília estacionou em frente a casa de Ednelson. Do interior do veículo desceu um homem moreno armado com um revólver e levou a vítima e sua mulher, Fabiana Florêncio Silva.

O carro estava ocupado por mais três pessoas, uma delas uma moça que teria ameaçado a mãe de Ednelson, nome preservado pela polícia, caso ela procurasse as autoridades para denunciar os fatos.

No final da tarde, a mãe não suportou e procurou a polícia. Denunciou o desaparecimento do filho e da nora, explicando a situação. A partir de então, começaram as investigações. Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), José Carlos Costa, a mãe reconheceu através de fotos algumas das pessoas que estiveram em sua casa e levaram as vítimas.

O Grupo Anti-Seqüestro do Deinter-4 de Bauru foi comunicado e começou a ‘caça’ aos seqüestradores. No início da madrugada de ontem, policiais da Força Tática da Polícia Militar abordaram o Tempra para uma revista de rotina e identificaram Heleniza Feijão, 32 anos, conhecida por ‘Tsunami’ graças ao seu porte físico. Carioca, ela já respondeu por crime de tráfico no Rio de Janeiro e atualmente estava em Marília.

Além dela, no veículo estavam Laiz Lins dos Santos, 18 anos; Alessandro Morenti, 29 anos e Cintia da Silva Souza, 23 anos. Todos foram encaminhados para o plantão da delegacia e lá foram reconhecidos por uma testemunha.

Pouco depois, a vítima Fabiana Silva reapareceu, havia sido abandonada numa via expressa da Zona Sul da Cidade. Suspeita-se que o grupo tenha sido detido logo após ter deixado a vítima.

Fabiana contou para a polícia que seu marido havia sido levado para uma casa onde foi torturado. Por volta das 3h30, a polícia localizou a residência que pertence a Rafael Asseff, 20 anos, no Centro da cidade. Ele foi preso e levado para a delegacia, porém, nenhum deles contou onde estava Ednelson Silva.

No início da manhã de ontem, o corpo da vítima foi encontrado nas proximidades da vicinal Amadeu Amaral, por um transeunte. Ednelson foi morto com três tiros, dois nas costas e um na coxa. A vítima apresentava sinais de tortura provocadas por pedaço de madeira.

Flagrante

Todos os envolvidos foram autuados em flagrante por seqüestro, cárcere privado e formação de quadrilha. “Eles foram autuados antes do corpo ser encontrado. Eles ainda serão responsabilizados pela morte, que agrava a pena de seqüestro,” avisa o titular da DIG.

Costa lembra que as investigações não se encerraram com a prisão dessa parte da quadrilha. “Vamos continuar as investigações porque suspeitamos que outras pessoas estejam envolvidas. Há indícios de que a morte tenha sido encomendada em represália a apreensão de cocaína ocorrida há mais de 30 dias na região de Bauru. O grupo desconfiava que Ednelson Silva era a pessoa que havia passado a informação para a polícia.”