09 de julho de 2026
Política

Bastos é contador da história das ruas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Na Câmara Municipal, ele exerce a função de consultor administrativo e financeiro. Mas nas horas vagas, Irineu Azevedo Bastos coordena um trabalho de resgate histórico dos nomes de ruas e locais públicos de Bauru que atualmente é publicado pelo menos uma vez por semana, normalmente aos sábados, nas edições do Diário Oficial.

A atividade, que se iniciou em 2 de setembro de 2006 e já ocupou as páginas da publicação oficial em 32 edições, começou após Bastos notar o interesse de estudantes sobre o assunto. “Os alunos viviam me ligando, pois os professores davam tarefas sobre a história local e precisavam dessas informações. Quando eu sabia contava, mas a maioria dos nomes era de pessoas que não conhecia. Assim, percebi a necessidade de abastecer esse ‘mercado’. Conversei com o prefeito Tuga e o Canalli, na época o chefe de Gabinete, e eles toparam imediatamente a idéia de lançarmos isso no Diário Oficial”, conta o pesquisador.

Além disso, acrescenta Bastos, era preciso que o projeto fosse complementado com a possibilidade de divulgar as informações na Internet, “problema” que foi solucionado com uma parceria com o Departamento de Água e Esgoto (DAE). “A autarquia conta com o geoprocessamento e lá estão todas as ruas públicas bauruenses. Desta forma, acrescentamos um espaço para a história do nome das ruas e todas as que já foram divulgadas estão lá”, explica.

Com a concretização do auxílio da autarquia, enfatiza Bastos, o projeto deslanchou de vez. “Comecei a receber muitas colaborações, o que é fundamental, pois permite ao projeto ir adiante e estamos abertos para isso. Por isso, semanalmente publicamos nosso e-mail para receber as colaborações”, frisa o consultor da Câmara.

Bastos esclarece que conta com o auxílio de diversas pessoas para executar o levantamento e a pesquisa da história das vias. “Elas são feitas através dos processos que existem na prefeitura, no departamento de comunicação e no arquivo, que nos dão todo o apoio enviando para a gente. E, a partir de 1991, com a nova Lei Orgânica, os processos de nomes de ruas estão na Câmara, facilitando o acesso. Três ou quatro pessoas no Legislativo trabalham em cima disso nas horas em que podem”, destaca.

O pesquisador completa, ainda, que o levantamento histórico não se limita apenas aos nomes de vias públicas. “Ele envolve também as denominações de outros locais públicos, como escolas, viadutos e teatros. O Edson Celulari, por exemplo, vai chegar uma hora que estará na relação. Precisamos recuperar esse passado e mantê-lo e, para mim, isso virou um hobby e uma diversão”, salienta.

Outra questão típica do projeto é não preocupar-se somente com vultos históricos, sejam nacionais ou locais, ou políticos. “Ele também conta com pessoas do povo. Prova disso é que hoje vê-se senhores e senhoras do povo, já falecidos, que atualmente são nomes de ruas. Essa democracia é o ponto alto do levantamento histórico”, considera Bastos.

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Curiosidades

A oportunidade de conhecer fatos históricos também possibilita lidar com diversas curiosidades descobertas ao longo do processo de pesquisa dos nomes de vias e locais públicos feito por Irineu Azevedo Bastos. Entre elas, destaca-se a “categoria” dos “esquecidos”.

“O Zarcilo Barbosa (colunista do JC) escreveu recentemente sobre os nomes de ruas que faltam em Bauru, como Célio Gonçalves, Nadyr Serra, Flávio de Angelis e Costa Ribeiro. Este último foi nome de rua da zona do meretrício e, quando esta mudou-se de local, modificaram o nome da rua, que passou a ser Presidente Kennedy, mas nunca mais deram o nome para o Costa Ribeiro”, recorda Bastos.

O pesquisador complementa que diversos vereadores e figuras históricas também não constam no levantamento histórico. “Vereadores falecidos ainda não são nomes de ruas, como Odair Schan, Irineu Biancardi, Valter Costa e Ângelo Gonçalves, bem como vultos históricos, como o primeiro deputado federal por Bauru em 1912, José Renato Cardoso de Melo, Américo Leite, filho de Azarias Leite, o general Marinho Lutz, que participou do aeroclube, horto de Aimorés e foi um abnegado da Noroeste. Por isso, há necessidade do Legislativo pensar nesses problemas”, defende.

Por fim, Bastos conta um fato que, para ele, é a curiosidade “maior”. “Antes de 1895, nomearam um arruador para fazer as ruas do futuro povoado de Bauru chamado Vicente Ferreira de Farias. O curioso é que não existe rua com o nome dele na cidade”, finaliza.

• Serviço

Colaborações para o arquivo histórico de nomes de vias e locais públicos podem ser enviadas para o e-mail irineubastos@camarabauru.sp.gov.br. Consultas de informações também podem ser feitas no site www.daebauru.com.br, acessando o link Geoprocessamento e, na seqüência, História das ruas.