Já faz um bom tempo que a violência urbana não é mais uma preocupação apenas de quem vive nos grandes centros. De uns anos para cá, viver nas cidades médias do Interior também deixou de ser sinônimo de tranqüilidade absoluta, embora os níveis de criminalidade não se comparem aos grandes centros. Mas já requerem a prática da “segurança defensiva”. A banalização da violência atinge a todos. Seja rico, pobre, metropolitano ou do Interior. Cada vez mais a população se sente insegura e desprotegida diante da incapacidade das autoridades em conter o avanço da criminalidade.
Essa sensação de desamparo tem levado as pessoas a buscar as mais variadas formas de proteção. Mudam-se de casas para apartamentos ou condomínios fechados, instalam alarmes, cercas elétricas, contratam seguranças particulares e até compram armas para se defender. No entanto, pequenos gestos são suficientes para reduzir os riscos de ser surpreendido por uma ação violenta.
Atitudes como não andar desacompanhado à noite, preferir o meio da rua quando passar por um local deserto e mal iluminado ou evitar passar debaixo de árvores que possam esconder algum delinqüente são algumas das recomendações feitas por especialistas em segurança particular.
Em caso de tumulto generalizado, procurar um lugar seguro para se esconder e jamais tomar as dores de quem está apanhando, principalmente se a confusão ocorrer em locais fechados. “Nesses locais, geralmente tem pessoas preparadas para lidar com esse tipo de situação. Não há necessidade de se expor à agressão para livrar um conhecido”, orienta o tenente Jaime Francisco Góis, 64 anos, oficial da reserva, que trabalha há 32 anos com segurança privada.
Outra dica é não utilizar os caixas eletrônicos durante a noite. Se não tiver como evitar, dê preferência aos caixas em vias movimentadas. Procure não entrar enquanto tiver uma ou mais pessoas no interior da agência. “Antes de entrar, verifique nas imediações se não há pessoas em atitude suspeita. Se notar algo estranho, procure outra agência”, recomenda Góis.
O policial aposentado orienta ainda nunca estacionar o veículo em local isolado e sempre andar com as portas travadas e vidros fechados durante a madrugada, quando a ação de assaltantes torna-se mais freqüente. “É preciso estar sempre atento à aproximação de alguém.” Avançar o sinal vermelho é uma infração de trânsito, independentemente do horário. Por isso, não é recomendado pelo oficial. “Já vimos muitos acidentes graves por causa disso. É bom ser evitado.”
Manter uma aparência discreta é fundamental para não despertar o interesse de pessoas mal-intencionadas. “O uso de jóias, relógios e pulseiras deve ser evitado no dia-a-dia porque chamam a atenção dos bandidos”, alerta Góis. “São objetos que devem ser usados apenas eventualmente, em ocasiões especiais.”