09 de julho de 2026
Bairros

Movimento escoteiro completa 100 anos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Considerado a maior organização jovem de todo o mundo, o escotismo está prestes a completar 100 anos de história. Apesar de possuir tamanha longevidade, o movimento, surgido em 1907 na Inglaterra, continua popular entre as crianças e adolescentes - tanto, que atualmente está presente em 75 países. Em Bauru funcionam dois grupos, igualmente antigos.

O maior (e mais velho) é o Guia Lopes, cuja sede está localizada na rua Maceió, 4-5, na Vila Cardia, região central da cidade. Fundada em 1963, a agremiação conta, atualmente, com 213 membros. O Tiradentes, outro grupo existente em Bauru, tem 30 anos de existência e conta com pouco mais de 80 participantes.

Hoje, os “lobinhos” (crianças entre 7 e 11 anos de idade) são maioria no interior do movimento. Eles representam mais da metade dos membros do Tiradentes, por exemplo. Isso não quer dizer que jovens de outras faixas etárias não estejam representados no escotismo. Nas reuniões do Guia Lopes, normalmente realizadas nas tardes de sábado, é possível se encontrar até maiores de idade.

Vívian da Silva Lopes tem 20 anos, trabalha como técnica em informática e participa há 13 anos do movimento. Ela já teve a oportunidade de passar por todos os ramos do escotismo: foi lobinha, dos 7 aos 10 anos; depois disso, se tornou escoteira, permanecendo nesse estágio até os 14 anos; dos 15 aos 18, ela passou a ser sênior; desde os 19, então, ela tem sido pioneira.

Permanecerá nesse ramo até os 21 anos. Isso não quer dizer que após esse limite ela será obrigada a abandonar o escotismo. Apesar de ser voltado basicamente para crianças e adolescentes, o movimento não faz distinção de faixa etária.

Não são raros os casos de pessoas que se tornaram escoteiras depois de adultas. A pedagoga Maria Lúcia Badin Marques, chefe do grupo Tiradentes (cuja sede está localizada na rua Moyses Leme da Silva, 4-50, no Jardim América, zona sul de Bauru), ingressou para o escotismo quando tinha 29 anos de idade.

Até 1993, ela nunca havia ouvido falar da existência do grupo, que, na época, costumava se reunir no Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Um pequeno detalhe: Marques é moradora do Jardim América, ou seja, era praticamente vizinha da antiga sede do Tiradentes.

Esse desconhecimento durou até o dia em que os três filhos vieram pedir que ela os levasse até uma reunião. “Resolvi, então, acompanhá-los. Logo que cheguei, fui recebida por um chefe. Na medida em que ele explicava como as coisas funcionavam por ali, fui ficando mais e mais interessada pelo movimento”, recorda.

Fascinada pelos ideais escoteiros, Marques resolveu retornar na semana seguinte. Voltou mais outras, até resolver ficar em definitivo. Hoje, mesmo depois dos filhos terem deixado o escotismo, ela segue firme no movimento. O caso dela não é único.

Cerca de 30 anos atrás, Maria Eico Amano nem pensava em se tornar escoteira. Certo dia, então, ela resolveu acompanhar a filha até uma reunião do Guia Lopes. Desde então, a costureira nunca mais quis sair do movimento. Ela chegou a ser “tombada” pelos membro do grupo. “Isso quer dizer que ela estará conosco para todo o sempre”, brinca a bancária Vercy Leila Gonçalves da Silva, presidente do Guia Lopes.

Se bem que a dedicação da aposentada pelo grupo costuma ser tanta que o “tombamento” acabou sendo desnecessário: Amano dá mostras de que pretende estar ao lado do grupo, sempre alerta, haja o que houver. É com o esforço de voluntários como ela que os dois grupos de Bauru conseguem levar suas atividades adiante.

Trabalho que, nos últimos anos, não vem sendo nada fácil. “Como poucas pessoas conhecem nosso movimento, são raros os adultos que se mostram dispostos a colaborar conosco”, explica Silva. Caso houvessem mais voluntários, os escoteiros poderiam receber uma quantidade maior de crianças em seus projetos.