10 de julho de 2026
Bairros

Grupos buscam voluntários para receber mais crianças

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Mais voluntários e mais apoio da população. A conjugação desses dois fatores permitiria aos grupos escoteiros de Bauru receber um número maior de crianças em seu meio. Além disso, possibilitaria que mais projetos e iniciativas de caráter solidário pudessem ser levadas adiante pelos participantes do movimentos.

“Para ser sincera, hoje em dia estamos mais necessitados de adultos do que de crianças. Não que os jovens não sejam importantes, mas é que sem voluntários não temos como admitir novos membros”, diz Vercy Leila Gonçalves da Silva, presidente do grupo Guia Lopes.

De acordo com ela, em algumas épocas do ano, chegam a se formar filas de espera devido à falta de adultos. “Nas excursões, por exemplo, precisamos levar vários monitores para acompanhar os garotos. Se fôssemos somar todo o pessoal de apoio, seria possível dizer que vai um adulto para cada criança”, diz ela.

Os pais acabam sendo a salvação dos grupos escoteiros. Eles vestem a farda (literalmente) e se engajam no movimento como se fossem verdadeiros “boys scouts”. Maria Lúcia Badin Marques, 43 anos, é um exemplo clássico dessa dedicação.

Até 1993, ela nem sabia o que era escotismo. “Fui levar meus filhos para uma reunião do grupo Tiradentes e acabei gostando. Resolvi então ficar”, conta. Hoje, mesmo após os três filhos terem deixado o movimento, ela segue firme como escoteira.

Atualmente, ela é a chefe do grupo. “O voluntariado é a essência do escotismo. Sem a colaboração dos adultos não temos como levar nosso trabalho adiante”, diz ela. No grupo Tiradentes a ajuda dos pais é que garante o dinheiro usados nas viagens e acampamentos.

“Nas últimas semanas, eles organizaram a rifa de um DVD, e estão vendendo pela cidade. O valor obtido será utilizado para custear o transporte de nossas crianças até Marília, para que elas participem do acampamento da Distrital de Bauru, que reunirá 11 grupos escoteiros da região”, afirma Marques.

Mas as iniciativas dos escoteiros vão muito além da arrecadação de dinheiro para acampamentos e excursões. Todo começo de ano, os jovens do grupo Tiradentes promovem campanhas para arrecadar alimentos e produtos de limpezas, que são doados depois para entidades beneficentes da cidade.

Dois anos atrás, o grupo doou 40 pacotes de fraldas para os idosos do asilo da Vila Vicentina. O Guia Lopes também promove diversas iniciativas de caráter solidário. Anualmente, o grupo costuma doar cerca de 500 itens de limpeza a instituições de caridade do município.

Apesar de demonstrarem tamanha dedicação em seu trabalho, os escoteiros quase não recebem apoio por parte da sociedade. Doações feitas aos grupos são raras e a maioria dos projetos e ações são feitos às custas dos próprios membros.

Para construir sua sede, por exemplo, os participantes do Guia Lopes tiveram de promover inúmeras festas, rifas e pasteladas. Do contrário, continuariam desabrigados. Para se ter uma idéia, durante anos, as reuniões do grupo tiveram de ser realizadas na casa de João Barbosa, fundador da agremiação. Depois disso, elas passaram a ocorrer na praça Rui Barbosa, Centro.

“Guardávamos nosso material em um salão da Catedral do Divino Espírito Santo”, afirma. A sede própria veio apenas em 1994. O curioso é que a maioria do dinheiro utilizado na construção foi proveniente de habitantes dos bairros carentes de Bauru. “Pode parecer incrível, mas os pobres são os que mais colaboram com a gente. Empresários e moradores da regiões mais ricas da cidade quase sempre se negam a ajudar”, garante Silva.

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Eles têm sonhos...

Os escoteiros do grupo Guia Lopes têm vários sonhos, mas estão afim de vendê-los, e o mais depressa possível. Quanto mais puderem comercializar, melhor. Antes que alguém se espante, os sonhos em questão são feitos à base de ovos, fermento e farinha e recheados com creme ou goiabada.

A campanha dos sonhos, idealizada pela direção do grupo, visa arrecadar fundos para custear uma viagem até Marília, marcada para a metade deste ano. “Precisamos conseguir no mínimo R$ 2.000,00. Essa quantia nos ajudaria a custear o transporte para 100 crianças e adolescentes, sem contar os monitores e adultos voluntários”, explica Vercy Leila Gonçalves da Silva, presidente do grupo.

A meta é comercializar pelo menos 3.000 sonhos. Eles serão entregues apenas no dia 26 de maio, mas já podem ser encomendados. O pacote com cinco unidade está sendo vendido a R$ 4,50. Os pedidos podem ser feitos na própria sede do grupo Guia Lopes, localizada à rua Maceió, 4-5, ou pelos telefones (14) 3203-1778 e (14) 3234-1518.