10 de julho de 2026
Bairros

Movimento é pioneiro em educação ambiental no mundo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Ao contrário do muita gente pensa, ser escoteiro é muito mais do que andar pela rua uniformizado e ajudar velhinhas indefesas a atravessarem a rua. Na verdade, o movimento escotista pode ser considerado algo à frente do seu tempo: há quase 100 anos seus participantes vêm se empenhando em questões que hoje são consideradas centrais pela sociedade.

Em 1907, temas como voluntariado, solidariedade e preservação ambiental já eram tratados de maneira séria pelos jovens participantes do movimento. “Acho interessante quando as Organizações Não-Governamentais (ONGs) aparecem por aí dizendo que querem defender a natureza, pois isso é uma coisa que estamos fazendo há um século”, orgulha-se Vercy Leila Gonçalves da Silva, presidente do grupo escoteiro Guia Lopes, cuja sede é na Vila Cardia.

Desde cedo, os participantes do movimento são incentivados a desenvolver o respeito ao meio ambiente, sobretudo por meio de atividades ao ar livre, como acampamentos e passeios na zona rural. Sem contar os projetos de reflorestamento que, todos os anos, ajudam a recuperar imensas áreas degradadas do município.

Só no ano passado, os membros dos dois grupos escoteiros de Bauru (o Tiradentes e o Guia Lopes) plantaram mais de 8.000 mudas de espécies nativas às margens do rio Batalha (um dos principais fornecedores de água da cidade).

Além dessas ações, garotos de 7 a 10 anos (os lobinhos) são incentivados a cultivar árvores frutíferas em pequenos vasos (depois de um tempo, elas são replantadas em locais apropriados). Atividades como essa ajudam a desenvolver nos patrulheiros mirins uma relação de carinho em relação aos espécimes vegetais.

No último sábado, por exemplo, um garoto participante do grupo Guia Lopes estava inconsolável. Meses atrás, ele havia plantado um caroço de acerola em um vaso. Vendo que a tentativa havia sido bem sucedida, resolver arriscar com sementes de maçã.

Até aquele momento, todavia, o experimento não havia se mostrada nada frutífero. “Não nasce, eu já tentei, não adianta”, dizia. Chefe Vercy tentava animá-lo: “Vai dar certo, sim. Você tem de ter paciência”.

“Mas, e se não nascer?”, perguntou, por fim, o garoto. “Você escolhe um outro tipo de semente para plantar”, ponderou a chefe.