10 de julho de 2026
Bairros

Disciplina e respeito à Pátria são fundamentais para os escoteiros

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Brincalhões e risonhos nos momentos de descanso, os escoteiros costumam ter sua rotina marcada por uma disciplina bastante rígida. Obediência irrestrita aos mais velhos e aos chefes de grupos e respeito a Deus e à pátria são pontos fundamentais que devem ser seguidos à risca pelos integrantes do movimento. Isso não quer dizer, porém, que eles não gozem de algumas liberdades fundamentais, como a de se divertir ao máximo, por exemplo.

No último sábado, num final de tarde, a algazarra era grande entre os “lobinhos” do grupo Guia Lopes. A reunião já havia terminado e as crianças de 7 a 10 anos estavam ansiosas para descansar. Enquanto algumas conversavam, outras quase levavam a aposentada Maria Eico Amano, 68 anos, à loucura.

Responsável pela cantina do Guia Lopes, ela tinha trabalho para atender os pedidos da tropa esfomeada. Mas ela já está acostumada com esse rotina. “As crianças vêm aqui, brincam comigo, inventam músicas com meu nome, mas fazem isso porque gostam de mim”, diz.

Integrante mais velha do grupo, ela é escoteira há cerca de 30 anos. O carinho dos integrantes por dona Maria (como costuma ser chamada) é tanto que ela chegou a ser “tombada” pelos companheiros.

“Isso significa que, de agora em diante, ela deverá permanecer sempre ao nosso lado”, diz Vercy Leila Gonçalves da Silva, presidente do Guia Lopes. Maria sorri envergonhada, enquanto ouve a explicação.

As crianças continuam chegando com seus pedidos. Entre os escoteiros o respeito é mútuo: sempre que se dirigem a dona Maria, as crianças fazem questão de dizer “por favor” e “obrigado”; ela, por sua vez, é extremamente carinhosa com os garotos.

Ainda assim, o barulho toma conta de tudo. Todos querem falar ao mesmo tempo. São pais que chegam e saem a todo instante, e amigos que se despedem sem parar. E pensar que, uma hora antes, os garotos estavam totalmente centrados nas atividades do grupo.

Alguém poderia até supor que as crianças perdem sua “alma escoteira” ao final das reuniões. Ledo engano. De repente, sem que ninguém diga nada, o barulho pára e a algazarra cessa. Todos ficam em posição de sentido e batem continência. É a bandeira Nacional que está sendo arriada.

Ninguém, nem mesmo a criança mais agitada, é capaz de se mover. O ritual termina e todos se dispersam. Vão cada uma para sua casa. Na semana que vem estarão de volta, brincalhões e disciplinados como todo bom escoteiro.