08 de julho de 2026
Nacional

Hipertensão pode provocar enfarto e derrame cerebral

Por Daniela Ortega | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Uma tontura de vez em quando, dores de cabeça esporádicas e, de repente, uma dor no peito leva ao hospital. O enfarto é apenas uma das conseqüências graves de um quadro de hipertensão arterial não cuidado. Outros problemas que podem aparecer incluem insuficiência renal e derrame cerebral. O agravante dessa doença é que ela não dá sinais.

Chamada de “assassina silenciosa’’, a pressão alta só provoca mal-estar quando já prejudicou bastante o organismo. Assim, estima-se que 30% das pessoas desconheçam que são doentes. E os médicos dizem mais: mesmo os pacientes que têm consciência do seu quadro muitas vezes interrompem o tratamento porque se sentem bem.

“Alguns acham que não precisam tomar remédio porque não estão mal, enquanto outros abandonam a medicação pensando que pode causar impotência ou que o organismo vai se acostumar. Isso é mito’’, diz Valério Vasconcelos, cardiologista do Hospital do Servidor Público Estadual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há 600 milhões de hipertensos no mundo, número que inclui metade da população com mais de 60 anos. E uma pesquisa da entidade indica que mesmo pequenas reduções na pressão podem reduzir o risco de mortalidade por derrame em até 40%, principalmente acima dos 65 anos.

No Brasil, de acordo com um estudo coordenado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, 28,5% da população é hipertensa. “Essas pessoas precisam de acompanhamento médico e têm de fazer o tratamento adequado. Não há cura, há controle’’, alerta Fernando Abrão Adura, cardiologista do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André.

Não há causa determinada para cerca de 90% dos casos, mas alguns fatores que podem elevar a pressão são sedentarismo, obesidade, estresse e tabagismo. Assim, o doente precisa controlar a dieta, perder peso, parar de fumar e fazer exercícios físicos. Além disso, evitar o álcool e diminuir o sal dos alimentos ajuda.

“A carga genética também está relacionada, mas, muitas vezes, o fato de todos na família terem o problema não tem nada a ver com os genes, mas sim com os hábitos daquela família’’, diz Paulo Olzon Monteiro da Silva, chefe da disciplina de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

É importante lembrar que o médico não consegue fazer o diagnóstico em apenas uma visita, pois várias situações podem levar a pressão a subir sem que isso indique que a pessoa sofra do problema. Adura explica: “É preciso medir mais de uma vez, durante várias consultas, para confirmar o quadro. Aí definimos o tratamento’’.