09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Iguais apenas na morte


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Foi com muita preocupação que li a matéria no JC do dia 31 de marco, que diz que o convênio medico com as funerárias vai acabar. Entendi a explicação dada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Compreendi as razões e as justificativas apresentadas por eles. Mas quem compreenderá as razões das pessoas que não têm como pagar um plano de saúde, mas podem pagar uma consulta e-ou exames, através do convênio funerário? O medico Carlos Alberto Monte Gobbo diz que é o governo que deve fortalecer o atendimento do serviço público, fazer com que o SUS seja bom e eficiente. Só não diz quando e nem como. O Conselho Regional de Medicina é formado acima de tudo por cidadãos, que deveriam estar preocupados com o bem-estar e a saúde da população.

Mas estão mais preocupados com os médicos que dão desconto no valor da consulta, dizendo que fere os preceitos éticos do profissional da área. Acho que por traz disso a verdadeira preocupação deles é com as perdas nos planos de saúde. Mas será que eles não vêem que as pessoas que utilizam consultas através do convênio com as funerárias não podem pagar um plano de saúde, mas podem de vez em quando pagar uma consulta com um valor reduzido, incluindo os exames? Que mal há em um medico oferecer desconto no preço da consulta? Já sei, ele vai ter uma clientela maior e consequentemente vai ganhar mais que os médicos dos planos de saúde, como Unimed, São Lucas, etc. Não é só a camada mais pobre da população que não tem convênio com os planos de saúde e sim a grande maioria da população. As funerárias nada ganham com o convênio medico, não são remuneradas e apenas querem servir aos seus associados. Falando nisso, como ficam os médicos que atendem através de convênios com associações de classe, sindicatos, instituições filantrópicas? Vai acabar tudo? O Cremesp não está nem um pouco pensando na saúde da população e sim neles mesmos. E ameaçam cassar os registros dos médicos que atenderem pelo convênio com as funerárias.

É lastimável que os dirigentes justamente dessa classe que jurou tratar da saúde e salvar vidas colaborem para acabar com um recurso , só por causa do desconto no valor da consulta e dos exames. E nosso governador foi ministro da Saúde, que ironia.. O Cremesp, tirando da gente nosso direito de atendimento medico, realmente abreviará nosso tempo de vida, precisaremos utilizar mais cedo os serviços das funerárias. Pelo menos na morte teremos um atendimento sem distinções de classe social e econômica. O atendimento na morte para todos, pobres ou ricos. Somente a morte iguala todos nós.

Aracy Avellar