Para que a “casa” funcione de maneira satisfatória, as tarefas domésticas são divididas entre os moradores. “Cada dia, tem uma coisa diferente para fazer”, conta Anderson Luis, relembrando o dever de José Pereira de lavar a louça na bica de água, do outro lado do rio Bauru. “A água é limpa, dá para tomar banho, lavar a louça e as roupas. Para beber e cozinhar, a gente pega num loja aqui perto”, afirma.
O fogão é uma lata de óleo grande, aberta em uma das extremidades, para que sejam colocados e queimados gravetos recolhidos às margens do rio. A comida não é o principal problema. “Quando a gente não consegue latinha para vender, pedimos nas casas e as pessoas são solidárias. Além disso tem um delegado e um policial que trazem cesta básica todo mês”, diz Luis.
A principal adversidade é o frio. “Durante a noite, temos que colocar os colchões todos juntos, dividir os cobertores e dormir bem perto para esquentar”, explica o “porta-voz”.
Sem entretenimento, eles buscam locais públicos para se informarem e não perderem a noção de tempo. “Vamos na rodoviária para ver o jornal, às vezes dá para assistir a novela e de vez em quando, o futebol”, conta Ariolene.