08 de julho de 2026
Política

DAE continua com a retirada de terras

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Mesmo depois de causar rebuliço na Câmara Municipal de Bauru, um caminhão e uma escavadeira do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru continuam retirando terra do terreno de um funcionário da autarquia, em Piratininga. A atuação estaria transgredindo uma lei municipal e levou o presidente do Legislativo, vereador Paulo César Madureira (PP), a solicitar a apuração do fato pela Comissão de Fiscalização e Controle.

Mas o DAE considera a ação regular. Tanto que ontem, dois funcionários da autarquia trabalharam o dia todo no local e, até as 12h, retiraram 12 caminhões de terra do Recanto Bonifácio, onde são realizados shows e pequenos rodeios.

Segundo seu proprietário, Nivaldo Bonifácio da Silva, 40 anos, agente de conservação de mananciais da autarquia, os serviços são realizados há dois meses. “Já doei 120 caminhões de terra. Caso precise de mais, tem um barranco lá atrás (aponta o fundo da propriedade) que, se for preciso, posso doar também”, conta.

Benefícios

A área provavelmente funcionará como uma espécie de estacionamento. Para Bonifácio, o serviço, além de ser bom para ele, também gera benefícios à comunidade. “Todo mundo sai ganhando. Eu, porque precisava fazer o serviço, o DAE, porque precisa de terra, e a população, que vai ter buracos tapados”, opina.

Segundo o vereador Marcelo Borges (PSDB), tal serviço só poderia ser feito dentro do município de Bauru e com a autorização do prefeito. “Acho interessante que a prefeitura, nesses dias parados, com a cidade tão limpa, tão bonita, use o dinheiro da população para fazer esse tipo de obra, pagando inclusive hora extra”, opina. “Não tem um volume grande de terra para retirar daqui”, completa.

De acordo com Borges, será elaborada uma representação assinada por vários vereadores para levar o caso ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). “Vamos conversar com os colegas e eu defendo que seja enviado também ao Ministério Público”, diz. Entretanto, a presidência do DAE já encaminhou documentos ao MP para que a medida seja verificada do ponto de vista da legalidade.