08 de julho de 2026
Regional

Bilhete eletrônico atormenta usuário de circular de Botucatu

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Botucatu - Mais um mês se inicia e parte dos usuários do transporte público de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) desconfia se não vai enfrentar novamente problemas com o cartão eletrônico. A queixa geral é o incômodo deslocamento para recarregar o cartão na rodoviária, a falta de um sistema para consulta do saldo do cartão, pagamentos de segunda, terceira e até quarta vias de cartões danificados, o “sumiço” do saldo do cartão, entre outros.

Implantado em maio de 2006, conforme a Empresa Auto Ônibus Botucatu (EAOB), a bilhetagem eletrônica passa por um momento de desconfiança. As reclamações é que parte dos 16 mil cartões eletrônicos apresenta problemas que não são sanados.

Há casos em que o usuário entra no ônibus e não consegue recarregar o cartão eletrônico, sendo obrigado a se deslocar até o posto da Estação Rodoviária. Muitos reclamam do constrangimento causado. A assessoria da Empresa Auto Ônibus Botucatu disse ao JC que está trabalhando para resolver os problemas no sistema eletrônico. Entretanto, a empresa não soube precisar quando vai conseguir resolver por completo o problema de instabilidade no sistema.

Na sessão da Câmara Municipal da última segunda-feira, foi aprovado um requerimento de autoria do vereador Ademir Florian (PV), que solicita à Prefeitura de Botucatu a possibilidade de retomar os passes de papel em substituição aos cartões eletrônicos.

Para o vereador, a medida iria beneficiar a população. “Eu recebo constantemente reclamações de usuários quanto à utilização do cartão eletrônico do transporte coletivo. Pelo que vejo ultimamente, os usuários estão descontentes e até o momento não houve qualquer integração de linhas, como prometido em 2004. Além disso, não há controle de saldo nos cartões e os mesmos não são carregados automaticamente, trazendo prejuízos aos usuários. Por considerar essas questões é que sugiro a volta dos passes de ônibus na versão impressa”, explica Florian.

O Poder Executivo deverá encaminhar sua resposta à solicitação do parlamentar dentro de um prazo máximo de 15 dias.

Provavelmente, a medida de Florian tenha a aprovação de 650, dos mais de 1.400 servidores municipais na ativa na cidade. Como usuários do passe eletrônico, eles têm reclamado bastante do sistema. Conforme, Fernando Pascussi, secretário do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu, são constantes as reclamações do funcionalismo em relação a falhas no cartão eletrônico.

O volume de ocorrências a cada mês pelo mesmo problema levou representantes do Legislativo, da Unesp, Famesp, Procon e da Empresa Auto Ônibus Botucatu, à mesa de negociação para discutir o sistema de bilhetagem eletrônica na cidade. O resultado não foi muito animador.

Há 19 dias os vereadores Antonio Luiz Caldas Junior (PC do B), primeiro secretário do Legislativo, e Antonio Carlos Vaz de Almeida (PR), o Cula, segundo secretário da Casa, estiveram reunidos com Renato Caldas, diretor do Procon e representantes.

No encontro foi apresentado um abaixo-assinado com cerca de 300 assinaturas de funcionários da FMB/HC da Unesp, que expressa a insatisfação dos usuários com a atual instabilidade do sistema de bilhetagem eletrônica implantada pela empresa.

‘Cutucados’

Caldas iniciou o encontro esclarecendo que são muitas as reclamações em torno do passe eletrônico. “Não somente os funcionários da Famesp ou da Unesp estão reclamando sobre o cartão eletrônico, como toda a população. Nós, vereadores, somos ‘cutucados’ todos os dias para tentar solucionar esses problemas. A população está sendo lesada, prejudicada com esse sistema que deveria funcionar perfeitamente. No caso de empresas ou instituições como a Famesp e a Unesp, elas pagam antecipadamente para creditar os cartões e deveriam receber como retorno um serviço com nenhum erro e não é o que acontece em nosso município”, explica.

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Constrangimento em público

O usuário do transporte coletivo, além de ter que se virar para solucionar o problema do cartão eletrônico com defeito, paga o “mico” na frente de outras pessoas e teme que não haverá solução para o problema com seu bilhete eletrônico. Os representantes da Famesp e Unesp descreveram que seus funcionários estão descontentes com o sistema, que para eles é instável e tem gerado problemas que envolvem até constrangimento público.

“Só na Faculdade de Medicina da Unesp são cerca de mil pessoas que utilizam o sistema e são inúmeras as reclamações, desde o ‘sumiço’ de saldo até casos em que pessoas passaram por um constrangimento público porque foram obrigadas a descer do ônibus porque, ao passar o cartão no sistema, foi detectado saldo insuficiente, mesmo estando carregado. São fatos que não poderiam ocorrer e que geram problemas para nós, não para a EAOB”, explica Carmeliana Navarro, membro do RH da Faculdade de Medicina da Unesp.

Os representantes da Famesp e Unesp ainda declararam que só obtém reclamação do cartão eletrônico, já que também lidam com outros cartões como vale-alimentação, vale-refeição e vale-combustível sem nenhum problema. No encontro entre representantes, o vereador Antonio Carlos Vaz de Almeida (PR), o Cula, chegou na sugerir à empresa que faça uma reunião com os funcionários para resolver pelo menos a questão do constrangimento público. “Temos quer evitar o embaraço público e eu sugiro que a empresa se reúna com seus funcionários para orientar mudanças de atitudes”, afirma.

Na reunião, o representante da EAOB explicou que o sistema ainda não é perfeito e que a empresa está tentando solucionar os problemas pontuais. “Toda a prestação de serviço deveria ser realmente 100%, nós estamos tentando solucionar os problemas gradativamente, tentando fazer com que o serviço seja o melhor possível”, informa.

Embora o representante da EAOB tenha se comprometido a buscar soluções para os problemas, os participantes da reunião ainda se sentem inseguros. “Ainda não vi benefício nenhum para a população, só reclamações, e isso vem ocorrendo há um ano. Não podemos esperar mais um ano para ver se esses problemas são resolvidos. A prefeitura tem de tomar providências, tem o dever de fiscalizar o serviço da empresa e autuá-la em caso de erros, conclui Caldas.