09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Na feira livre


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O sol amarelado pela lona translúcida dava o tom colorindo a mesa onde eu, resistindo bravamente à tentação da gula, apenas assistia minha neta devorar seu santo pastel de todas as quintas feiras. O local não era silencioso, havia no ar um burburinho próprio do ambiente, de vez em quando um grito mais forte nos chamava a atenção.

- Vai melancia barato...

Ao lado da banca do pastel a mulher do laranjeiro não dava trégua, nunca se viu laranja tão boa e tão barato. Era grande a lista de predicados e adjetivos ao se referir às laranjas, mexericas e tangerinas, indescritível, verdadeiros, convenhamos.

Sacolas e carrinhos se resvalam, ninguém se cumprimenta, todos se movimentam lentamente de olhar voltado para as bancas onde verduras e frutas são expostas sem muito critério, coisas assim bem ao gosto do povão que não foi educado para ter bom gosto, um fiscal visivelmente desmotivado e às vezes pouco ético vai “interagindo” com os feirantes.

Na mesa de pastel minha netinha de seis anos mostra seu sorriso já desfalcado e diz que não quer mais, desfaz-se da sobra e dos papeis engordurados em uma lixeira onde um “leximanioso inquieto monta guarda”, compro algumas bananas com as cascas cheias de “hematomas” devido ao mau acondicionamento para o transporte e volto para casa resmungando minhas analises sociológicas, coisas de avó, em anos de eleições é adicionado a tudo isso os inconvenientes cabos eleitorais.

Lazaro Carneiro