10 de julho de 2026
Cultura

Homenagem ao Mestre Landinho

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de quase cinco anos da morte de Orlando Francisco Costa, o Mestre Landinho, a Câmara Municipal de Bauru deve aprovar o projeto de lei de autoria do presidente da Casa, Paulo Madureira (PP), que batiza a pista de desfile do Sambódromo com o nome do sambista. O projeto será votado hoje e “receberá 15 votos a favor”, espera o autor do projeto.

A confiança de Madureira é justificável. Durante a vida, Landinho levou o nome de Bauru e do Carnaval para onde foi. Depois de um ano que chegou à cidade, em 1959, começou a desfilar. Primeiro na escola Unidos do Noroeste, em seguida foi para o Camisa 10 e alguns anos mais tarde para o Cartola, onde permaneceu 22 anos. Em 1991, desfilou pela Deixa Falar. Voltou à Cartola e passou os últimos três anos de vida na Coroa Imperial da Grande Cidade e no bloco Flor de Laranjeira.

Tradicionalmente, Mestre Landinho se apresentava de sorriso largo, impecavelmente sambista: de terno branco. À frente da bateria de várias escolas da cidade que ajudou até mesmo a fundar, driblava o excesso de peso e arrastava a perna machucada por uma espécie de úlcera – às vezes com ajuda de uma cadeira de rodas – para defender o Carnaval ao barulho de surdos, caixas e tamborins.

Morreu no dia 8 de outubro de 2002, aos 56 anos, por conta de uma insuficiência cardíaca, quando o tradicional desfile das escolas de samba já demonstrava cansaço. Durante o velório, amigos acreditavam que o luto da morte pelo menos serviria para que as autoridades não permitissem o fim da tradição, como disse, na ocasião, o compositor e intérprete Léo do Rasi.

Antes de ser sepultado, o amigo lhe dedicou alguns versos: “O apito do grande Landinho emudeceu/ Partiu e deixou as escolas e os amigos chorando/ Vá em paz, meu querido, Deus está te chamando/ Tu és mais um para fazer samba no céu”. Com a partida do mestre, parece que o samba também resolveu fazer as malas.

Landinho ainda recebeu uma homenagem no ano seguinte quando, mesmo sem desfiles, as escolas de samba Coroa Imperial e Flor de Laranjeira levaram cerca de 300 pessoas à avenida das Laranjeiras, no Geisel, para homenagear o mestre. Separado, Mestre Landinho deixou cinco filhas e duas netas. Segundo amigos, todas as filhas carregaram o amor do pai pelo Carnaval e pela percussão.

Homenagem

A volta do Carnaval de rua seria a maior homenagem que Bauru poderia prestar ao sambista, na opinião do chefe de Gabinete da Câmara, Paschoal Storniolo, que conviveu por mais de 20 anos com o mestre. “O Carnaval era o que lhe dava mais prazer. Com certeza, Landinho estaria muito triste ao ver o fim da festa porque ele vivia o Carnaval o ano todo”, diz.

Para o presidente da Coroa Imperial, Avelino de Souza, a homenagem a Mestre Landinho é justa e vem tarde. “Ele foi o grande baluarte do Carnaval. Sua memória nunca será esquecida”, diz um tanto melancólico. Avelino e Landinho trabalharam juntos na Coroa Imperial. “Ele só deixou bons amigos e lembranças”, conta.

No passado, houve outras tentativas de homenagear o mestre. Logo após a morte de Landinho, o próprio Madureira, na época vereador e vice-presidente da Cartola, chegou a declarar a vontade em apresentar um projeto para que a área de dispersão do Sambódromo recebesse seu nome.

Mais do que batizar o espaço, o parlamentar gostaria de assistir à revitalização do local. “O Sambódromo, um dos maiores espaços culturais de Bauru, está abandonado há três administrações. Para mim, deveria funcionar 365 dias”, diz.

Com objetivo semelhante, em 2005, a Secretaria Municipal de Cultura chegou a enviar um projeto, “Barracão Escola de Samba Mestre Landinho”, com o intuito de oferecer aulas de percussão no Sambódromo. Aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC), o Município nunca recebeu a verba de R$ 1,5 mi, que seria destinada a esse e mais nove projetos, por conta da dívida da Prefeitura Município com a Fundação de Previdência do Servidor (Funprev).

Atualmente, a concentração do Sambódromo carrega o nome de Queté e a passarela de Gilberto Carrijo. Quem sabe agora, sob a batuta de Mestre Landinho, a pista acorde com o grito de “Vamos meter bronca já neste samba!”, como ele costumava dizer.