10 de julho de 2026
Articulistas

Educação não se faz com impactos


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O governo federal vem anunciando aos quatro ventos o lançamento do PAC da Educação, como uma verdadeira revolução nunca havida que abrangerá todos os alunos que freqüentam as escolas públicas do País, principalmente os pobres e que para tal serão disponibilizados R$ 8 bi para serem gastos em 4 anos. Para nós, os mais experientes e vividos na educação, essa cifra que poderá impressionar a muitos, não nos sensibiliza pois já vivemos e estivemos envolvidos em quadros idênticos. Conhecemos muito bem a história! Em verdade, relativamente às épocas, sempre houve dinheiro, e muito dinheiro, para a educação, só que irracionalmente aplicado, em gastos supérfluos e desnecessários que não apresentaram nunca o retorno esperado, uma educação do nível desejado, a qual, ao contrário é de sofrível qualidade comparada às dos sistemas educacionais de países do terceiro mundo. Quantos milhões foram gastos em projetos efêmeros, construções faraônicas que não condizem com nossa realidade, com cursos e diárias e que na verdade não redundaram em uma melhor qualificação do professor e do gestor da educação. O segundo entrave para o desenvolvimento da educação em nosso país é a descontinuidade dos planos e projetos. Um governo não continua o que o anterior programou, despreza-o e faz o seu que será abandonado pelo outro sucessor e assim, acontece sucessivamente. Os nossos governantes esquecem ou se fazem de esquecidos de que a educação é um processo lento e que deve ser contínuo e não de impactos; é um processo paciente e simples, não sofisticado e que demandará decênios para apresentar os resultados desejáveis que emergirão na cultura do povo, na melhoria da qualidade de vida do cidadão e da sociedade! A educação para produzir frutos e apresentar resultados demanda de cinqüenta anos a um século, no mínimo. Podemos esperar que milhões de computadores sejam comprados com essa significativa disponibilidade orçamentária com a justificativa de que serão fundamentais para a melhoria da qualidade do ensino; poder-se-á até destinar um computador por aluno do sistema público, não significando que tal fato redunde em melhoria de nosso combalido ensino, não comprovando porém de que o mesmo esteja sendo educado. Nós que temos filhos e netos que convivem durante horas com o computador sabemos muito bem de que este globaliza o conhecimento do aluno porém não o educa. Pois a educação inicia-se na família, continua nesta e na sala de aula. Como bem afirmou um articulista do “O Estado” recentemente, “o front da educação está na sala de aula”, na permanência de mais horas do aluno interagindo com o professor, mas com um mestre verdadeiramente valorizado com salários dignos e não aviltantes e que sinta prazer e segurança para desenvolver o seu trabalho. Pague-se bem ao professor; para que ele trabalhe tranqüilo sem se preocupar em correr de uma escola para outra à procura de aulas para engrossar o seu orçamento familiar. Que se lhe dê segurança para o trabalho e uma base estrutural e colaboradora como assistentes sociais e psicólogos. Que a família do aluno participe realmente do trabalho do professor, deste profissional que, infeliz e absurdamente, está em vias de desaparecimento. Enfim, que se dê tempo à educação!

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor