Nas festividades do Senado, em comemoração aos 40 anos da Universidade de Brasília, o então deputado e hoje senador Arthur Virgilio relembrou o dia em que, convidado por Sigmaringa Seixas, foram os dois solicitar habeas corpus para os estudantes que o general Newton Cruz havia mandado prender. Chegando à casa do juiz D. Viotti, Virgilio relembra que, como o juiz morava sozinho, com certeza estava se preparando para jantar, pois havia um prato à mesa, exibindo uma bela salada com um ovo cozido no meio. Conversa vai, conversa vem, vendo-se de repente sozinho na cozinha, Virgílio, que estava em jejum pela correria do dia, não pensou duas vezes: ingeriu o ovo. Concedido o habeas corpus, os dois foram embora. Alguns dias depois, Sigmaringa contou a Virgílio que fora ao Tribunal agradecer ao juiz, em nome dos dois.
- Mas houve um problema – acrescentou ele.
- O que foi? – perguntou Virgílio.
- Pareceu-me que ele está meio invocado com você, porque quando me referi a seu nome ele disse: “Não se deixe enganar por aquele deputado, pois trata-se de um refinado moleque...”
Contado por Rui Bertoti