O velho golpe do bilhete premiado fez mais duas vítimas ontem em Bauru. Idosas e aparentemente frágeis, elas acreditaram no discurso de mulheres que pediram ajuda para receber prêmio alto. Juntas, perderam mais de R$ 5 mil. No primeiro caso, as estelionatárias abordaram uma senhora de 60 anos, moradora do Parque Viaduto, próximo à Universidade de São Paulo (USP), na Vila Universitária. Uma delas disse que havia sido sorteada com um prêmio da loteria de R$ 100 mil. Como garantia de que receberia o montante ao entregar o bilhete premiado, pediu dinheiro à idosa, que decidiu ajudá-la.
A vítima, então, dirigiu-se até a quadra 7 da rua Gustavo Maciel e sacou R$ 1.290,00. Entregou o dinheiro a uma das mulheres e aguardou no local combinado o retorno dela, assim como o da outra moça que traria a recompensa. Em vão. Do mesmo modo procedeu a outra idosa de 76 anos, moradora nos Altos da Cidade.
Esperou por 40 minutos o retorno dos estelionatários, na quadra 4 da avenida Nações Unidas. Antes, sacou R$ 4 mil e entregou a um homem, junto com uma pulseira e dois anéis de ouro, além de R$ 200,00 que estavam na carteira. Ao entrar no banco, foi orientada a dizer que retiraria o montante para fazer uma reforma em casa, caso fosse questionada por algum funcionário.
Segredo
O rapaz explicou que, com a justificativa, ela evitaria que mais pessoas tentassem dividir o prêmio pela ajuda. O rapaz a deixou com a promessa de voltar em cinco minutos com os R$ 160 mil, que seriam divididos entre os dois. Ele estava próximo da senhora quando ela foi abordada por uma mulher que se dizia analfabeta e que afirmava ter ganho R$ 660 mil com um bilhete premiado.
Com boa aparência, solícito e, “coincidentemente” com o resultado do jogo, o homem também se ofereceu para ajudar a moça, assim como a vítima, informa o cabo Wilson Marcos de Souza Gaia, da Base Comunitária de Segurança Norte. De acordo com ele, como a garantia exigida era dinheiro, o homem levou a idosa até o banco num Vectra, cuja placa não foi anotada.
Depois, a deixou na quadra 4 da Nações. De lá, sacaria o dinheiro do prêmio e deixaria a dona do bilhete na casa de uma irmã. Só então voltaria para o local estabelecido com os R$ 160 mil prometidos e que seriam divididos. Mas durante a longa espera, a vítima percebeu o golpe, do qual nunca tinha ouvido falar. “Eu só assisto à Rede Vida. Não falam sobre isso. Não vejo nada ruim na televisão”, conta.
Ele reitera que o casal era convincente, assim como as duas mulheres devem ter sido com a primeira vítima (ontem à noite, ela estava sob efeitos de calmante). Caso sejam localizados, os estelionatários estarão sujeitos a pena que varia de um a cinco anos de reclusão. Os dois casos serão investigados pela Polícia Civil. Os nomes das vítimas foram preservados para evitar constrangimentos às vítimas.