09 de julho de 2026
Geral

Bauru faz placar e painel para o Pan

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A empresa bauruense Bruna Painéis também conquistou uma vaga nos Jogos Pan-americanos 2007. Em no máximo duas semanas, uma equipe já estará no Rio de Janeiro para instalar dois placares para resultados de jogos e dois painéis eletrônicos que transmitem todo tipo de animação em vídeo, confeccionados com tecnologia de ponta.

Eles serão montados no estádio João Havelange, especialmente projetado para os jogos do Pan, que começam em julho. Cada um dos painéis mede 60 metros quadrados e será vendido a US$ 600 mil. Já os placares medem dez metros quadrados e serão comercializados a US$ 70 mil, cada.

A encomenda foi feita pela Construtura Odebrecht, que ganhou a concorrência para a construção do estádio. Ela despenderia muito mais se importasse os equipamentos. Somando as taxas de importação, um painel da Daktronics, por exemplo, não sairia por menos de US$ 1,6 milhão, calcula o diretor da Bruna Painéis, Carlos Augusto Santo Andréa.

“Somos a única empresa da América Latina que fabrica esse tipo de painel (full color) com resolução de vídeo”, explica. Toda a confecção do aparelho é feita em Bauru, sendo que parte da matéria prima é importada de países como Coréia, Japão e Estados Unidos. Ao todo, 100 empregos diretos e outros 500 indiretos foram criados para a confecção dos dois painéis e dois placares.

Tecnologia

O apanhado tecnológico também foi elaborado em Bauru, onde foi desenvolvido um modo próprio para modular os painéis do Pan. Cada um deles, de 60 metros quadrados, é formado por 434 placas de LEDs (diodo emissor de luz). Trata-se de um cristal importado do Japão, que emite luz quando uma corrente elétrica passa por ele.

Em cada uma das placas do painel são utilizados 1.024 LEDs. Ao combiná-los em cores primárias (azul, vermelho e verde) é possível obter um trilhão de tons, explica o diretor da Bruna Painéis. Já os placares são monocromáticos (apenas em vermelho).

“Os LEDs são a lâmpada do futuro. Não esquenta e tem duração de 100 mil horas. Em pontes e viadutos (de difícil acesso) já são utilizados”, comenta Andréa. De acordo com ele, se houver uma célula fotovoltaica para abastecê-lo, nem energia elétrica despende. No entanto, por enquanto, ainda é mais caro instalar um painel de luz com LEDs do que lâmpadas comuns, desde que a perspectiva seja de curto prazo.

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Largada

Para a Bruna Painéis, as encomendas para o estádio João Havelange deram largada ao aperfeiçoamento de tecnologia para painéis de grandes dimensões. O desempenho da empresa, no entanto, será testado depois. A expectativa é de que novas vendas possam ser confirmadas com a inauguração de outros estádios em construção no País.

Tantas apostas confirmam o quanto o esporte é capaz de movimentar a economia nacional. Resta agora torcer para que o Pan seja um sucesso e abra as portas do Brasil para outros eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “Pode melhorar a imagem do Rio e do País”, acrescenta Carlos Augusto Santo Andréa, diretor da Bruna Painéis.

A empresa foi criada em 1998 e exporta para países como Paraguai, Uruguai e Argentina. A produção conta com cerca de 40 funcionários. Eles levam um dia e meio para desmontar um painel de 60 metros quatros. Já para instalá-lo e testa-lo, cerca de 20 dias. A tecnologia de painéis eletrônicos e outdoors teve início em 1990, explica Andréa. Na época, eram usadas lâmpadas e microlâmpadas.